Blonde [Crítica do Filme]

Baseado no livro de Joyce Carol Oates, um mezzo ficção, Blonde reimagina o que pode ter sido a conturbada, infeliz e trágica vida pessoal e profissional do mito Marilyn Monroe.

Carregando e muito nas tintas, Blonde gasta suas quase 3 horas de duração colocando Norma Jean/Marilyn Monroe numa espiral de violência física, mental e sexual, mergulhando num sadismo desmedido. Mesmo antes de ser lançado, Blonde foi inicialmente rejeitado pela sua produtora Netflix (e provavelmente pela plateia teste) devido ao alto teor de sexo e violência. Devidamente editado, seu corte final foi lançado debaixo de uma campanha proativa, na qual a semelhança da atriz Ana de Armas impressionou e ainda impressiona – sua atuação é irretocável – porém ao invés de uma cinebiografia para os fãs antigos, os atuais e os futuros, o diretor Andrew Dominik cometeu uma espécie de O Martírio de Joana D’arc, onde o único propósito é fazer com que o espectador testemunhe a descida de Marilyn ao inferno.

Marilyn é mostrada como uma mulher vulgar, burra, viciada e sempre à beira de um ataque de pânico. Cadê o talento dela explodindo no cinemascope de Nunca fui Santa (1956) e sua ótima atuação em Quanto mais Quente, Melhor, de 1959?


Reza a lenda de Norma Jean era muito ambiciosa, muito esperta e inteligente, tendo feito por onde chegar onde chegou em Hollywood. Ela também era sexualmente livre, apesar dos inúmeros episódios de carência e depressão.

A atriz Ana de Armas faz um bom trabalho de reprodução, mas não é bem dirigida. O diretor declarou que escolheu Ana após vê-la nua em uma fotografia e ela provavelmente aceitou o papel com o intuito de se tornar uma estrela de cinema como Marilyn foi um dia. Dá até pra traçar um paralelo entre as duas depois de vê-la submetida a tantas cenas gratuitas de nudez, sexo e agressões. A narrativa gira em círculos e não sabe o que fazer com o mito de Marilyn Monroe, além de mostrá-la em cenas pra lá de insuportáveis, como apenas uma prostituta barata e uma atriz forjada por Hollywood pra servir na cama a homens poderosos. Se era uma cantora bem ruinzinha, pelo menos mostrou talento cômico em várias produções e convenceu até numa atuação dramática em Os Desajustados (1961), seu último trabalho. Só não concorreu ao Oscar porque já tinha data pra ser descartada.

O que faltou em Blonde foi equilíbrio, sutileza e foco na persona artística de Marilyn. Uma pena.

FICHA TÉCNICA

Título: Blonde
Direção: Andrew Dominik
Data de lançamento: 5 de outubro
Netflix

Italo Morelli Jr.

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