Não Olhe para cima [Crítica do Filme]

Não olhe para cima é um filme de comédia, muito DESESPERADOR. É um pouco difícil não se sentir angustiado com os dois astrônomos tentando convencer a humanidade de que um cometa chegará em seis meses e destruirá a Terra.

Com um elenco de peso que conta com Jennifer Lawrence, Leonardo DiCaprio, Meryl Streep, Mark Rylance, Cate Blanchett, Jonah Hill, Timothée Chalamet, entre outros, Adam McKay nos entrega uma história tão real, principalmente em tempos de pandemia, que apesar da parte mais engraçada ser ótima, a reflexão toma boa parte da trama, afinal, sabemos o quanto pessoas negacionistas no poder podem afetar a todos nós. E Meryl Streep é a própria versão feminina do Trump.

Janie não acredita nos astrônomos, acha que o medo vai atrapalhar as eleições e seu filho, chefe do gabinete, é um idiota que só colabora para as idiotices da mãe. No entanto, um mês depois, eles percebem que a situação é grave e chama novamente Kate Dibiasky (Jennifer Lawrence) e Randall Mindy (Leonardo DiCaprio)  para ajudar em uma missão com a Nasa para tentarem desviar a rota do cometa. Claro, também é uma tentativa desesperada para a reeleição da presidente. E quando finalmente o governo americano parece criar juízo, um empresário riquíssimo do ramo da tecnologia espacial e que financia as campanhas da presidente, a convence a deixar com que a empresa explore o cometa para buscar recursos minerais e depois tentar explodir com drones. Qualquer um que questione o plano mirabolante é demitido.

Esse é o plot principal do filme, mas o que sustenta essa narrativa são os protagonistas DiCaprio e Lawrence. Randall é um cientista medíocre, tímido e que vai ganhando fama por ser bonito e mais calmo (devido aos ansiolíticos) do que Kate, uma aluna de doutorado que descobre o cometa que acaba levando seu nome. Ela é muito mais revoltada, tem um surto na televisão quando tentam explicar ao mundo que todos vão morrer, vira meme e se desespera com a burrice humana. Kate não se engana com o governo, ao contrário de Randall que se perde com a fama e com a beleza da jornalista Brie ( sempre incrível Cate Blanchett).

O mais tocante da história é como a humanidade se comporta diante do fim do mundo, a negação é o primeiro ponto. Ninguém acredita, ninguém leva os astrônomos a sério e a ciência é questionada o tempo todo. Surgem fake news, teorias das conspiração, tudo para negar o inevitável. E em todo o processo para tentar evitar a destruição do planeta, as pessoas estão mais preocupadas com o fim do relacionamento de uma cantora famosa (Ariane Grande) ou com escândalos sexuais de políticos do que qualquer outra coisa. Uma sociedade fútil, egoísta e burra, cruelmente igual a realidade.

E lendo a sinopse pode parecer um filme pesado, mas não se enganem, a sátira não enfraquece, pelo contrário é assustador como dei boas risadas com o paralelo com a vida real. Os diálogos são ácidos, divertidos, uma comédia extremamente inteligente. E ainda tem duas cenas pós-créditos com toque de humor e sarcasmo.

Certa vez uma amiga me disse que se eu não me olhasse no espelho eu não veria o que me incomodava, é a mesma premissa do título. Se você não olhar para cima, não verá o cometa, afinal, a ignorância pode ser mesmo uma benção, até que não seja mais. 

Trailer

FICHA TÉCNICA

Título: Não olhe para cima
Título Original: Don’t Look Up
Direção: Adam McKay
Data de lançamento na Netflix: 24 de dezembro de 2021
Netflix

Michele Lima

5 thoughts on “Não Olhe para cima [Crítica do Filme]

  • 27 de dezembro de 2021 em 22:23
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    Meus parabéns Michele! Sensacional o seu texto e concordo plenamente com ele. Infelizmente nem todo mundo sacou o objetivo do filme que, na minha opinião, não tinha maiores pretensões do que fazer essa sátira da nossa realidade e fez de forma perfeita. Fica também mais fácil com um elenco estelar desses. Show de bola 👏🏾👏🏾👏🏾

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    • 27 de dezembro de 2021 em 23:27
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      O elenco está demais mesmo Helinho!! Que bom que sentiu o impacto como eu!

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  • 29 de dezembro de 2021 em 02:16
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    Não sei se você teve essa impressão também, mas teve horas que eu não sabia o que era realidade e ficção, porque nós vimos exatamente o mesmo comportamento durante a pandemia. É triste pensar que a humanidade vai acabar afundada nas fake news e paranoia enquanto aqueles que poderiam fazer alguma coisa contribuem para esse cenário.

    Resposta
    • 29 de dezembro de 2021 em 02:47
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      Se fosse outros tempos Sybylla eu diria que o roteiro era insano, mas hoje realmente a ficção e realidade se misturaram demais….

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  • 29 de dezembro de 2021 em 19:15
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    Um grande filme, que quero muito assistir em breve.

    Boa semana e Feliz Ano Novo!

    O JOVEM JORNALISTA está de volta! Não deixe de conferir os novos posts.

    Jovem Jornalista
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    Até mais, Emerson Garcia

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