Magnatas do Crime – 2ª Temporada

Magnatas do Crime

Dificilmente desgosto de alguma coisa de Guy Ritchie e, dessa vez, não foi diferente. Se a primeira temporada de Magnatas do Crime já era ótima, a segunda alcança um nível ainda maior de excelência quando o assunto é desenvolvimento de personagem.

Na primeira temporada, acompanhamos Eddie Horniman (Theo James) herdando o título de duque e a propriedade da família, apenas para descobrir que suas terras escondem um enorme negócio ilegal de cultivo de maconha, comandado por Susie Glass (Kaya Scodelario) e sua família. O que começa como uma tentativa de se livrar dos criminosos acaba envolvendo o protagonista cada vez mais profundamente no submundo do crime.

Na segunda temporada, Eddie já não é mais o aristocrata relutante em se envolver com a criminalidade. Agora, ele quer expandir os negócios para além da Inglaterra. Ao mesmo tempo, sua ambição cresce e começa a colocar em risco não apenas sua parceria com Susie, mas também o equilíbrio entre sua vida como duque e sua ascensão no mundo do crime.

Partindo da premissa de que não existe traficante bonzinho, era previsível que Eddie precisasse fazer escolhas cada vez mais difíceis. A questão é que elas já não parecem tão difíceis para ele. O protagonista está cada vez mais convencido de que nasceu para a grandeza. Típico da nobreza europeia. A transformação de Eddie é muito bem construída. Cada vez mais frio para matar, ambicioso e acostumado ao poder, ele começa a se sentir grande demais para permanecer à sombra de Bobby Glass (Ray Winstone), a ponto de se afastar do antigo aliado e até traí-lo. Naturalmente, suas escolhas acabam produzindo consequências desastrosas.

A série também dá mais espaço para Susie Glass. Cansada de viver sob as ordens do pai, ela apoia Eddie até onde consegue, enquanto também busca sua própria independência. Susie está cada vez mais frustrada com o domínio, inclusive psicológico, exercido por Bobby. E aqui há outro acerto da temporada: existe tempo de tela suficiente para que a trama de Susie se desenvolva sem parecer apenas um complemento à história de Eddie. Fica cada vez mais evidente que a química entre os dois vai além da parceria no crime, embora eles nunca atravessem essa linha.

Infelizmente, nem tudo funciona tão bem. Guy Ritchie continua usando e abusando da conveniência do roteiro. Sempre existe alguma maneira de Eddie e Susie apagar os incêndios, nem que seja por pura sorte. Em alguns momentos, isso é genial e faz parte do charme da série; em outros, parece pouco coerente.

Magnatas do Crime
Ainda assim, Magnatas do Crime continua se diferenciando de muitas produções da Netflix. Mesmo quando exagera no didatismo, a série consegue construir personagens complexos, que transitam por uma zona muito mais interessante do que a simples divisão entre bem e mal. O ritmo acelerado, tão característico de Guy Ritchie, também continua funcionando muito bem e nos prende do início ao fim. É uma mistura eficiente de ação, humor e drama.

E, à medida que Eddie deixa de ser apenas um traficante de maconha, se é que existe simplicidade nisso, a série também ganha um tom mais sério e dramático. O crime deixa de ser apenas uma oportunidade de enriquecimento e passa a revelar as consequências da ambição e do poder sobre aqueles que acreditam conseguir controlá-los.

Magnatas do Crime volta mais violenta, muito mais, com um ótimo desenvolvimento de personagens, bons coadjuvantes e uma tensão que cresce a cada episódio. Agora só resta torcer para que a Netflix não nos faça esperar longos anos pela próxima temporada.

Michele Lima

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