Neagley: Detetive Particular [Crítica]

Depois de Cangaço Novo e Spider-Noir terem sido canceladas pelo Prime Video, fiquei com medo de assistir a Neagley: Detetive Particular. Porém, não consegui resistir à curiosidade de conferir o spin-off de Reacher. E, no fim das contas, achei que valeu a pena!
Neagley tem uma estrutura semelhante à de Reacher, com temporadas fechadas, mas se distancia bastante da série protagonizada por Alan Ritchson. Ao contrário de Jack Reacher, Frances Neagley (Maria Sten) não transmite a sensação de ser imbatível e é uma personagem muito mais humanizada. Seu trauma de infância, que a impede de tocar em outras pessoas, está diretamente relacionado à trama da temporada e acrescenta uma camada de vulnerabilidade a alguém que, à primeira vista, parece ter tudo sob controle.
Quando Tommy (Jhaleil Swaby), um amigo de infância de Neagley, morre em circunstâncias suspeitas, ela decide descobrir o que realmente aconteceu. O que começa como uma busca por respostas se transforma em uma investigação perigosa, na qual se descobre que uma seita está usando pessoas vulneráveis para fazer testes farmacêuticos.
A protagonista conta com um grupo de apoio carismático, que contribui para dar personalidade à série. Keno (Jasper Jones) é jovem e impulsivo e entra de paraquedas na história. É um personagem que acrescenta alguma leveza e movimenta a dinâmica da equipe. Renee (Adeline Rudolph), por sua vez, começa interessada em ocupar o lugar de Neagley no escritório em que elas trabalham, mas acaba se tornando uma aliada extremamente eficaz. Já Hudson (Greyston Holt), um policial com vínculos familiares com o mundo do crime, tem uma história interessante, e a pitada de romance com a protagonista funciona bem. Ficamos com a sensação de que, ao contrário do que acontece em Reacher, esses personagens podem voltar a aparecer. Falando no meu brutamontes preferido, Jack Reacher aparece poucas vezes, o suficiente para nos lembrar da relação entre os protagonistas sem fazer com que uma série dependa da outra.

Maria Sten é um dos grandes acertos da produção. A atriz transmite a competência, a determinação e a dureza da personagem. Sua boa atuação também dá peso aos momentos mais dramáticos, especialmente quando o passado de Neagley interfere em suas escolhas e na maneira como ela se relaciona com os outros.
As cenas de ação são outro ponto positivo. As sequências de combate são eficientes, mas a série não depende exclusivamente delas. O drama pessoal da protagonista acrescenta densidade à narrativa, enquanto o mistério em torno da morte de Tommy sustenta o suspense. Isso não significa que tudo funcione perfeitamente. Embora a trama seja envolvente, a série não apresenta grandes novidades, e algumas soluções são previsíveis. Além disso, quem espera o ritmo frenético de Reacher talvez estranhe uma narrativa que dedica mais espaço ao passado e à construção da protagonista.
Neagley: Detetive Particular tem boas chances de ganhar novas temporadas. A série tem carisma, uma protagonista interessante e uma boa combinação de ação, investigação policial, drama e suspense. Não reinventa o gênero, mas oferece um bom entretenimento.
Michele Lima

