Lanternas [Crítica]

Lanternas

Comecei Lanternas sem muita expectativa. No começo, adorei; no meio, fiquei em dúvida; no final, fiquei com um gosto amargo. Há quem reclame que a série é sobre heróis sem o espetáculo tradicional dos super-heróis ou que se distancia dos quadrinhos. Nenhuma dessas questões me incomodou.

A trama acompanha Hal Jordan (Kyle Chandler), o Lanterna Verde veterano na Terra, e John Stewart (Aaron Pierre), seu substituto, enquanto os dois investigam acontecimentos alienígenas em Rushville.

Sempre fui muito fã da animação Liga da Justiça, que passava no SBT, então John Stewart sempre foi meu Lanterna Verde preferido. Por isso, foi uma surpresa perceber o quanto me apeguei mais a Hal nesta série. Kyle Chandler está excelente, mas o mérito também é do personagem, muito mais complexo e interessante do que John. Amargurado, alcoólatra, rebelde, solitário e depressivo, Hal carrega uma bagagem que o torna muito mais instigante.

A dinâmica entre os dois funciona muito bem. A relação de rivalidade, ressentimento e, aos poucos, respeito é o ponto alto da série. O problema é que, justamente por funcionar tão bem, ela acaba desequilibrando a narrativa. Hal cresce tanto dentro da história que John, que deveria dividir esse protagonismo, fica em segundo plano. E isso é particularmente frustrante porque Aaron Pierre também entrega uma ótima atuação.

A investigação em Rushville é interessante, e as revelações conseguem manter a atenção, mas não são elas que tornam a série realmente envolvente. O que me prendeu foi a relação entre Hal e John. Por isso, curiosamente, não senti tanta falta dos anéis e dos poderes, que aparecem quase como coadjuvantes, convenientemente sempre com pouca bateria.

Lanternas
Só que essa mesma escolha que me agradou também revela uma das fragilidades da série: Hal Jordan rouba a cena demais. E, quando a série precisa resolver a questão dos dois Lanternas e conectar sua história ao Guy Gardner do novo Superman, interpretado pelo excelente Nathan Fillion (The Rookie), a solução parece bem menos convincente do que deveria.

No fim, Lanternas é uma série que me conquistou justamente por não tentar ser aquilo que alguns esperavam dela. A atmosfera de investigação, os personagens e, principalmente, a dinâmica entre Hal e John funcionam muito bem. Mas a série também perde força quando suas próprias escolhas começam a limitar o espaço de John e a enfraquecer algumas resoluções importantes. Valeu a pena, mas poderia ter sido melhor.

Michele Lima

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