A Última Casa [Crítica]

Não achei A Última Casa um filme desastroso como muita gente está falando. É um filme genérico, sem dúvida, mas com alguns pontos positivos, como o elenco, a fotografia e uma história de isolamento que, apesar de não ser exatamente original, consegue despertar interesse.
Jason (Wagner Moura) é um engenheiro desempregado que gosta de pescar, pai de dois filhos e marido de Ann (Greta Lee). Um dia, começa a chover e, inexplicavelmente, a família fica presa dentro de casa. O fenômeno parece ter atingido o mundo inteiro, ninguém consegue atravessar as portas ou sair pelas janelas. O que inicialmente parece apenas uma situação estranha rapidamente se transforma em um cenário de sobrevivência, especialmente quando a comida começa a acabar. Do lado de fora, existem criaturas misteriosas que atacam os seres humanos e permanecem à espreita, transformando qualquer tentativa de deixar a casa em uma sentença de morte.
A família consegue sobreviver graças ao racionamento e à capacidade de Jason e Ann de encontrar maneiras de obter novos recursos. Porém, apesar dos esforços, as crianças são profundamente afetadas psicologicamente. E há um certo horror justamente em acompanhá-las com fome, angustiadas e privadas de uma vida normal por causa daquele isolamento.
A inspiração em produções como Bird Box e Um Lugar Silencioso é evidente, mas A Última Casa não consegue alcançar a tensão ou a força temática desses filmes. O suspense é bastante raso e o ritmo não colabora. Toda a situação é apresentada em poucos minutos, algo que inicialmente me agradou por evitar enrolação, mas, depois de um tempo, percebemos que esse ritmo acelerado acaba prejudicando o desenvolvimento dos personagens. Para um filme que aposta tanto na dinâmica familiar e na sobrevivência, ele acaba pecando justamente naquele que poderia ser seu grande trunfo.

Ainda que a criatura pareça ter sido tirada de Piratas do Caribe, há de se destacar a ambientação da casa, que se transforma ao longo dos anos de isolamento e estabelece uma relação interessante com a situação da família. À medida que a casa se torna mais sustentável, a família também se adapta e se fortalece. E, à medida que a casa começa a ruir, a dinâmica familiar também começa a se desfazer. É uma boa metáfora visual para representar o desgaste provocado pelo isolamento. Destaque também para Wagner Moura e Greta Lee, que entregam ótimas atuações.
Em suma, A Última Casa apresenta uma história que provoca interesse e que consegue assustar, principalmente por nos fazer lembrar do trauma provocado pela pandemia. Porém, o filme peca pelo ritmo acelerado, pelo desenvolvimento superficial dos personagens e por uma direção pouco criativa. Não é de todo ruim. Já vi coisas bem piores.
Michele Lima

