Ferrari [Crítica do Filme]

Michael Mann (do excelente Colateral) passou anos de sua vida para trazer o filme Ferrari aos cinemas. E é uma pena dizer que mesmo com um elenco excelente, o longa fica aquém.

O roteiro de Troy Kennedy Martin é baseado no livro Ferrari: O homem por trás das máquinas, sendo o  filme um recorte da vida de Enzo Ferrari que sem dúvidas influenciou o automobilismo, fascinado pelas corridas de carros e um excelente engenheiro. Certamente todo mundo já ouviu falar de uma Ferrari ou até sonhou em ter uma! Não por menos, até hoje a escuderia acumula milhares de fãs no mundo todo na Fórmula 1.

Na trama, Enzo já havia perdido seu filho e seu casamento com Laura (Penélope Cruz) está em crise. Enzo tem uma segunda família escondida em uma casa em outro lugar na Itália. Lina Lardi (Shailene Woodley) não se contenta mais em esconder a paternidade do filho, embora pareça que a única pessoa que não sabe dele é Laura! E é ela, na figura fantástica de Penélope Cruz, que rouba a cena várias vezes. Amarga, sem o filho e o casamento acabando, Laura bota medo até no gerente do banco! E Enzo, tendo a esposa como sua sócia, sabe que não pode simplesmente aparecer com outra mulher e um herdeiro. Paralelo a seus dramas pessoais, Enzo enfrenta a crise financeira de sua empresa. Gasta mais do que ganha em quase tudo nas corridas, o protagonista se vê à beira da falência. E aqui só quem assistiu Ford vs Ferrari ou tem conhecimento dopo assunto, vai entender o papel da Ford nas negociações da Ferrari. Infelizmente, o roteiro peca e deixa tudo muito mal explicado.

Também temos a presença de Alfonso de Portago (Gabriel Leone), um piloto jovem que aparece querendo uma vaga na Ferrari e acaba ganhando com a morte de outro piloto. Neste quesito a ambientação das corridas da época ficaram excelentes! Em um tempo que corrida de carro era extremamente arriscado, sem nenhuma segurança, o que culmina na tragédia absurda de Mille Miglia.

Adam Driver faz um bom trabalho na figura do empresário poderoso, ambíguo e ambicioso que foi Enzo Ferrari. Uma pessoa complexa, longe do rótulo de mocinho ou vilão, o que fica bem claro na história do filme. O que não fica claro é o propósito do filme. Focado na trama do caso extraconjugal do protagonista, o roteiro não explora a amante Lina e foca muito mais na figura de Laura. Na parte dos negócios, a questão financeira fica superficial, na parte automobilística, Alfonso de Portago (bom trabalho do ator brasileiro) não ganha a profundidade necessária para nos envolver com o que acontece com ele. Sim, o acidente é chocante (mesmo com efeitos especiais ruins), mas pouco se tem de seus desdobramentos.

Enfim, Ferrari é raso como biografia, mesmo sendo apenas um recorte da vida de Enzo e também não satisfaz os fãs do automobilismo por todas as lacunas deixadas. Mas é um filme interessante com um protagonista igualmente intrigante. 

FICHA TÉCNICA

Título: Ferrari
Diretor: Michael Mann
Data de Lançamento: 22 de fevereiro de 2024
Diamond Films

Michele Lima

One thought on “Ferrari [Crítica do Filme]

  • 27 de fevereiro de 2024 em 08:51
    Permalink

    Não tinha ouvido falar do filme. Gostei muito de sua resenha. Ela está super completa e bem feita. Obrigado por compartilhar.

    Boa semana!

    O JOVEM JORNALISTA está em HIATUS DE VERÃO do dia 03 de fevereiro à 06 de março, mas comentarei nos blogs amigos nesse período. O JJ, portanto, está cheio de posts legais e interessantes. Não deixe de conferir!

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    Até mais, Emerson Garcia

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