Men – Faces do Medo [Crítica]

O gênero de “terror psicológico” nos últimos anos, vem ganhando cada vez mais elementos em profundidade de camadas, críticas sociais e simbolismos diante de suas narrativas. Alex Garland, diretor de Ex-Machina: Instinto Artificial (2014) e Aniquilação (2018) trouxe essas nuances em seus filmes de ficção-científica. Porém, sua nova produção se mostra a mais complexa nos pontos com o teor independente.

Men: Faces do Medo, retrata a personagem Harper Marlowe (Jessie Buckley) que após um fato traumático em seu casamento decide tirar um tempo para si, alugando uma casa no campo que pertence a Geoffrey (Rory Kinnear). Mas com a aparição de um estranho homem nu e diversas interações, acaba se questionando sobre o local.

O início impactante do longa se reverbera durante toda a linearidade da trama, mostrando o forte impacto e trauma na vida de Harper. O cineasta propõe ao público uma ótima explicação para os atos da mulher, colocando pontos como: afastamento de câmera, simetria, centralização, tonalidade saturada e predominantemente verde. A busca por equilíbrio e renovação com a natureza.

Entretanto, com essa tentativa de paz interior acaba se tornando uma maneira de isolamento e válvula de escape da realidade, fugindo de seus “pecados”. A metáfora nesse caso é saída mais óbvia, trazendo uma pauta delicada com profundidade do cotidiano das mulheres em torno dos homens e permitindo que o espectador se sinta angustiado na pele de Harper.

O diretor se mostra como no papel de mediador, jogando no colo do público para realizarem suas próprias interpretações da história e elementos sobre: simbolismo, cultura, patriarcado, machismo, feminismo e religião. Assim, pecando em vários arcos narrativos e mudando os degraus dos elementos com as explicações para a finalização “surpresa” da trama em si.

A diversidade de pensamentos para compreender a pronúncia do desenvolvimento será notada. Por outro lado, a necessidade da busca por material adicional “extra tela”, pode alavancar mais ainda essa percepção. No entanto, a maneira plástica de retratar o homem como unitário é instigante, perturbadora e necessária para abrir discussões. O “dedo na ferida” com horror.

Todavia, a produção é imersa já que engrandece os olhares pela sua forma apresentada em questões estéticas e estruturais, como por exemplo: o silêncio na maior parte do tempo com trilhas sonoras vocais que geram tensão. Além das boas atuações expressivas de Buckley e Kinnear.

Em “Men”, o caminho do debate relevante e a rica construção narrativa parte para uma resolução bizarra de impacto na cosmologia, pois acaba gerando afastamento de todo parecer desenvolvido até então. Em suma, podendo ocorrer uma certa divisão para receber o filme em si e não pelo contexto excelente.

FICHA TÉCNICA

Título: Men: Faces do medo
Título Original: Men
Direção: Alex Garland
Data de lançamento no Brasil: 8 de setembro de 2022
Paris Filmes

Lucas Venancio

2 thoughts on “Men – Faces do Medo [Crítica]

  • 7 de setembro de 2022 em 15:43
    Permalink

    Parece ser um filme perturbador. Esse eu passo.

    Boa semana!

    O JOVEM JORNALISTA está no ar com muitos posts e novidades! Não deixe de conferir!

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    Até mais, Emerson Garcia

    Resposta
  • 7 de setembro de 2022 em 22:12
    Permalink

    Olá,
    Eu andei lendo tantas coisas negativas do filme que sua opinião me deu uma animada.
    Parece um filme com reflexões válidas e modernas, espero dar uma chance – com um bom olhar também – em breve.

    até mais,
    Canto Cultzíneo

    Resposta

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