Morte No Nilo [Crítica do Filme]

Morte no Nilo, joga seguro e mantém o mesmo ar detetivesco apresentado anteriormente por Branagh.

Após o sucesso de O Assassinato no Expresso Oriente”(2017), o diretor Kenneth Branagh está de volta para mais uma adaptação baseada nos livros de Agatha Christie, juntamente com o roteirista Michael Green. O filme da vez é A Morte no Nilo, livro publicado pela primeira vez em 1937, que já recebeu uma adaptação nas telonas em 1978, na qual também marca o retorno do icônico detetive, Hercule Poirot, protagonizado por Branagh.

Em vista disso, Poirot está de férias no Egito, embarcando em um navio turístico diante das águas de um dos rios mais extensos do mundo, o Nilo. Que além de atravessar o deserto do Saara é rodeado pela cultura histórica e seus sítios arqueológicos.

Contudo, antes do passeio, Hercule, está em clube de Jazz e com seu jeito metódico de somente comer bolinhos em quantidades pares, além de observar tudo e todos. Assim, a narrativa é voltada para seu “raccord de olhar”, aonde finalmente conhecemos o resto dos coadjuvantes que irão conduzir a jornada de ‘Morte no Nilo’, o galã desempregado Simon Doyle (Armie Hammer), sua noiva Jacqueline de Bellefort (Emma Mackey) e Linnet Ridgeway-Doyle (Gal Gadot), uma mulher linda considerada uma das mais ricas da Inglaterra, causando muitos olhares tortos e invejosos.


Algum tempo se passa e Simon acaba se apaixonando por Linnet Doyle, com isso acabam se casando. Todavia, a lua de mel do novo casal será a bordo cruzeiro, mas sua ex-noiva, Jacqueline está revoltada por conta de sua traição e acaba se juntando a tripulação por supostamente ter comprado a passagem com antecedência. Assim, sendo impossível expulsá-la da viagem pelo rio.

Nos é apresentado o restante dos passageiros: Andrew Katchadourian (Ali Fazal), Salome Otterbourne (Shophoie Okonedo), Rosane Otterbourne (Letitia Wright), Marie van schuyler e Mrs. Bowers (Jennifer Saunders e Dawn French), Louise Bourget (Rose Leslie), Dr. Linus Windlesham (Russell Brand), Bouc (Tom Bateman), Euphemia (Annette Bening) e Louise Bourget (Rose Leslie).

Assim, a trama se percorre por conta de um assassinato que deixa todos como suspeitos e acaba ocorrendo uma investigação por parte de nosso detetive belga, Hercule Poirot em meio as vossas férias.

O diretor consegue manter a mesma estrutura narrativa e sua cosmologia sem fugir do que já foi apresentado em seu antecessor, porém com mais ousadia para contextualizar a obra. O longa tem uma boa estrutura de planos para enaltecer o Egito, mas acaba não sendo utilizado e sim um plano de fundo para a nova jornada de história detetivesca. Em contraponto, o Rio Nilo é um protagonista por deixar as consequências extensas, assim dando angústia até o fim do percurso.


A linguagem dos personagens pode parecer cafona e rebuscada, isso pode acabar repelindo alguns espectadores que gostam de mais naturalidade em adaptações de livros antigos. O pouco desenvolvimento dos personagens acaba nos instigando a refletir quem pode ser o real assassino, porém acaba deixando alguns como meros figurantes. A todo momento algo pertinente acontece, assim a tomada de decisão acaba mudando pelo próprio detetive, que nesse filme recebe uma carga dramática mais presente na trama e seu passado.

Todavia, quem já jogou e gostou do clássico board game “Detetive ou Clue”, vai acabar gostando dessa brincadeira com o suspense e adivinhação. Não é à toa que Agatha Christie foi considerada a “Dama do Crime”, principalmente por trazer essa continuidade das aventuras bem sucedidas de Hercule Poirot. O diretor e ator, Kenneth Branagh, já declarou que seu objetivo é dar vida ao seu universo compartilhado de Christie nos cinemas. Esperamos que a ambição dê frutos positivos e possamos ver cada vez mais histórias da autora e outras obras literárias adaptadas para as telonas.

Trailer

FICHA TÉCNICA

Título: Morte no Nilo
Título Original: Death on the Nile
Direção: Kenneth Branagh
Data de Lançamento: 10 de fevereiro de 2022
20th Century Studios Brasil

Lucas
@lucksre

One thought on “Morte No Nilo [Crítica do Filme]

  • 13 de fevereiro de 2022 em 12:33
    Permalink

    Oi pessoal! Eu gostei bastante da adaptação do Expresso e estou curiosa para ver esta, que é de um dos livros que mais gosto da autora. Torço para que mais livros delas sejam levados para as telonas. Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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