O Outro Lado do Paraíso [Resenha do Filme]

Participamos da Cabine de Imprensa do filme O outro lado do paraíso

Sinopse: O ano era 1963. O Brasil vivia um período turbulento, com o governo em crise, o Congresso em chamas, denúncias de corrupção na imprensa e um golpe a caminho. Neste país dividido, um brasileiro anônimo, Antonio Trindade, entusiasmado com as propostas de reformas do presidente João Goulart, sai de Minas Gerais com mulher Nancy Emediato e três filhos para tentar realizar em Brasília, cidade ainda em construção, o maior sonho de sua vida: achar o paraíso na terra. Esta história real – baseada em livro autobiográfico de Luiz Fernando Emediato – serviu de tema para O Outro Lado do Paraíso, segundo longa-metragem de André Ristum, que estreia nacionalmente em junho, depois de ganhar 12 prêmios em vários festivais no Brasil e no exterior.

Em um momento político conturbado e tão desesperançoso como o que vivemos hoje em dia em nosso tão amado país, filmes como O Outro Lado do Paraíso são, de certa forma, necessários e bem-vindos. Ainda mais se trouxer personagens repletos de motivação e fé, como o garoto Nando (corretamente interpretado pelo ator Davi Galdeano). Outro ponto bastante primordial de filmes como esse, é o fato de expor (de maneira mais autêntica possível) situações político-sociais que o povo brasileiro já atravessou, já arregaçou as mangas e gritou de pulmões cheios que tem coisa errada acontecendo, que o cheiro de rato está forte e precisa ser extinto. 

Baseado na vida do pai de Luiz Fernando Emediato (escritor/jornalista mineiro vencedor de prêmios literários), um dos muitos brasileiros que foram à Brasília tentar morar ao ‘lado do presidente’ e acabaram numa comunidade pobre e sem muitos recursos, o filme deixa a vertente do jovem menino falar um pouco mais alto e dar um tom nem tão lúgubre – por ter o golpe de 64 como pano de fundo – e quase esperançoso em demasia ao filme. Porém, nem tudo é tristeza: o filme celebra também os frios na barriga de um primeiro amor, a lealdade entre amigos, a credulidade no lado bom do ser humano. E não somente centrados na personagem do jovem rapaz amante de livros de política: temos ainda o líder trabalhista Jorjão (Flavio Bauraqui) e a professora Iolanda (Adriana Lodi), a primeira a reconhecer o potencial que o rapaz mineiro trazia.

No final das contas, um filme bastante correto, pelo menos ao que se propõe. Um exercício de cinematografia com alguns bons momentos (como na cena em que Nando lê trechos de um livro para seu primeiro amor de criança sob a sombra de uma árvore) e que nos dá uma aula de história política do nosso país sem soar pedante ou literal ao extremo. O pai do nosso jovem ‘herói’ era um grande sonhador, e o diretor André Ristum injetou a dose certa de abstração à história, equilibrando fatos históricos e a arte de contar fábulas.

3.0/5.0




Dados do filme:
O Outro Lado do Paraíso
Ano: 2016
Distribuidor: Europa Filmes
Diretor: André Ristum

Cristiano Santos

12 thoughts on “O Outro Lado do Paraíso [Resenha do Filme]

  • 2 de junho de 2016 em 08:59
    Permalink

    Ooi! Não conhecia esse filme e a história, achei bem interessante a premissa dele. É triste as pessoas irem atrás de algo e acabarem não conseguindo as conquistas no final.
    Beijos
    Estilhaçando Livros
    Tem sorteio no Cantar em Verso valendo box dos Jogos Vorazes.

    Resposta
  • 2 de junho de 2016 em 11:35
    Permalink

    Oi, Cristiano!
    Acho que vi sobre esse filme em algum lugar… Achei a premissa bem interessante, mas não sei se assistiria por agora.
    Beijos
    Balaio de Babados

    Resposta
  • 2 de junho de 2016 em 12:05
    Permalink

    Oi, Cris.

    Embora não tenha atingido o ápice, fiquei bem curiosa para assistir. Ainda mais que fiquei sabendo que o filme é baseado na história da avó de uma funcionária da Geração Editorial. Estou bastante curiosa.
    Adorei o blog.
    https://revelandosentimentos.blogspot.com

    Resposta
  • 2 de junho de 2016 em 19:36
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    Olá, Cristiano.
    Infelizmente o filme não me chamou tanto atenção. Mas para quem gosta do gênero, é um filme bem motivador principalmente pela situação em que estamos vivendo. Mas vou deixar passar porque não sou muito de assistir filmes, prefiro ler hehe.

    Blog Prefácio

    Resposta
  • 2 de junho de 2016 em 23:56
    Permalink

    Oie Cristiano =)

    Nossa não tinha visto esse filme em nenhum lugar até o momento. Confesso que a premissa da história não me chamou muito a atenção, mas para quem gosta de filmes do gênero ele parece ser uma boa opção.

    Beijos;***

    Ane Reis.
    mydearlibrary | Livros, divagações e outras histórias…
    @mydearlibrary

    Resposta
  • 3 de junho de 2016 em 13:02
    Permalink

    Olá, Cristiano.
    Fiquei curioso para conferir o filme. Gosto de obras do cinema nacional que abarcam momentos turbulentos da história brasileira. Mesmo que o filme não tenha alcançado o seu melhor, irei conferir.

    Desbravador de Mundos – Participe do top comentarista de junho. Serão quatro livros e dois vencedores!

    Resposta
  • 3 de junho de 2016 em 18:50
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    Oi, oi!
    Nunca tinha ouvido falar desse filme, mas a resenha me deixou encantada com o enredo, principalmente por ser um nacional! Estou correndo para ver!
    Beijos!
    Borboletas de Papel | Fanpage

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    • 14 de junho de 2016 em 17:13
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      Oi Aline! Que bom que curtiu! Viu o filme? Gostou?

      Resposta
  • 3 de junho de 2016 em 19:49
    Permalink

    Olá flor, tudo bem?

    Não tenho certeza se já assisti a esse filme, geralmente não assisto muito filmes nacionais, confesso que não me senti tão fisgada pelo filme, apesar de sua ótima resenha não conseguiu me prender, não costumo assistir filmes assim, geralmente sou assim com os livros também, na maior parte do tempo estou lendo fantasia, mas de qualquer forma adorei sua resenha e fico feliz que tenha gostado.

    Beijinhos

    http://resenhaatual.blogspot.com.br/

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  • 14 de junho de 2016 em 17:12
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    Este comentário foi removido pelo autor.

    Resposta
    • 20 de setembro de 2016 em 04:09
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      Obrigado! Se flor for para mim, devo ser um cacto então 😉
      hehehehe

      Resposta

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