Hotel Assombrado – 2ª Temporada

Tenho uma enorme reclamação sobre Hotel Assombrado. A série é curta demais! A duração dos episódios é curta, a quantidade de episódios é curta… Não sei em que escala a Netflix tem trabalhado, mas fica registrado aqui o meu protesto.
A segunda temporada segue a mesma linha da primeira, equilibrando a comédia caótica com temas bem mais pesados do que se poderia imaginar à primeira vista. Hotel Assombrado pode até ter aquele efeito de série “comfort”, mas não deixa de ser uma animação adulta. Por trás dos fantasmas, das maldições e dos demônios, assuntos como a morte e a depressão encontram espaço sem comprometer o humor. O episódio 4, em que os fantasmas têm a oportunidade de sair do hotel, é um dos melhores da temporada. Acompanhamos Randy tentando viver tudo aquilo que perdeu ao morrer tão cedo, enquanto Nathan encontra um novo amor. Já o episódio 6, Dante Crowe, aposta na ironia para brincar com os clichês dos filmes de ação e entrega alguns dos momentos mais divertidos da temporada.
Abaddon continua sendo o melhor personagem da série. O demônio que habita o corpo de uma criança se comporta cada vez mais como uma, criando um contraste hilário com sua natureza demoníaca. Suas subtramas estão entre os pontos altos da temporada, e eu verdadeiramente ri todas as vezes em que ele apareceu. É o melhor da série!
Desta vez, a animação também dá mais espaço a Ben e à sua ótima intuição, além de deixar ainda mais evidente o quanto seu relacionamento com Annabelle é abusivo. Esther, por sua vez, parece cada vez mais disposta a ultrapassar todos os limites! Enquanto isso, Katherine continua falhando miseravelmente na missão de colocar ordem no hotel e nos filhos, para nosso deleite. A chegada de Shayna também é muito bem-vinda. Ela funciona quase como a voz da razão em meio ao caos que define o hotel, o que torna sua presença um ótimo contraponto às loucuras dos demais personagens.

Hotel Assombrado continua acertando ao combinar humor ácido, referências à cultura pop e ao terror com uma abordagem leve do drama. A temporada explora os traumas dos fantasmas e aprofunda suas relações com os vivos, encontrando espaço para a sensibilidade sem perder o sarcasmo que faz a série funcionar tão bem.
Minha ressalva fica por conta do último episódio, que, apesar de bastante nostálgico, não me parece forte o suficiente para encerrar a temporada. Ele até funciona como uma conclusão, mas espero sinceramente que não seja a despedida definitiva. Precisamos de mais séries sarcásticas, irreverentes e dispostas a fugir do óbvio como Hotel Assombrado. E, de preferência, com mais episódios!
Michele Lima

