A Diplomata – 4ª Temporada [Crítica]

A Diplomata

A série A Diplomata sempre foi muito mais do que uma trama política, e sua quarta temporada reforça isso ao dividir espaço entre as tensas disputas de poder e os conflitos pessoais, especialmente o casamento de Kate e Hal.

A história retoma os acontecimentos exatamente de onde a temporada anterior terminou, quando descobrimos que Grace Penn (Allison Janney), a nova presidente dos Estados Unidos, é muito mais ardilosa do que imaginávamos. Isso coloca Kate Wyler (Keri Russell) em uma posição cada vez mais complicada. Enquanto tenta resolver os impasses de seu casamento com Hal, a embaixadora ultrapassa limites que jamais imaginou cruzar. No entanto, suas ações, frequentemente impulsionadas pelos péssimos conselhos do marido, são, em última instância, tentativas de salvar a relação entre os dois países.

Kate perde aliados importantes, começa a se isolar politicamente e ainda precisa lidar com Todd (Bradley Whitford), marido da presidente. Embora inicialmente pareça uma figura simpática, Todd revela suas inseguranças e, em determinado momento, chega a ser patético. Sua participação acrescenta mais uma camada de complicação a uma trama que já está longe de ser simples.

Gradualmente, o roteiro amplia os conflitos políticos e apresenta uma presidente cada vez mais autoritária, disposta a passar por cima da própria equipe e até de protocolos básicos. Grace parece não se importar com a possibilidade de entrar em conflito com a Rússia, a Grã-Bretanha ou qualquer outro país que atravesse seu caminho. Se, por um lado, a trama política ganha tensão a cada episódio, por outro, o casamento de Kate e Hal assume um tom mais pacífico.

Confesso que, embora considere válida a autocrítica do casal, não me agradou a postura mais conciliadora de Kate em relação a Hal. Algumas discussões também me pareceram enfadonhas, muito bem sustentadas por Keri Russell e Rufus Sewell. Aliás, o elenco continua espetacular.

A Diplomata
Keri Russell é um brilho constante na trama. Sua protagonista é uma combinação de inteligência, impulsividade e contradições que torna Kate muito interessante. A atriz merece muito uma indicação ao Emmy! Rufus Sewell, por sua vez, se destaca por manter firme a ambiguidade de seu personagem. A dinâmica entre os dois continua sendo um dos pontos altos da série. Allison Janney está ótima como Grace Penn, enquanto Bradley Whitford acrescenta novas nuances a esse jogo de poder. Gosto bastante, ainda, da dupla formada por Eidra e Stuart, interpretados pela ótima Ali Ahn e por Ato Essandoh.

O maior mérito da série continua sendo mostrar que a política não acontece apenas nos discursos oficiais. Os bastidores são construídos a partir de conversas atravessadas, informações omitidas, acordos e relações pessoais que interferem diretamente nas decisões de Estado. A série explora tudo isso sem transformar a narrativa em uma aula complicada de geopolítica.

A Diplomata continua sabendo como prender a atenção. A temporada entrega boas reviravoltas, aumenta a tensão política e termina com uma cena que nos deixa enlouquecidos à espera da próxima temporada, que promete muito!

Michele Lima

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