Fúria [Crítica]

Fúria

Fúria chegou ao Disney+ bastante aclamada e com razão! O thriller policial psicológico consegue equilibrar investigação, drama e tensão sem depender apenas dos clichês do gênero. É aquele tipo de série que a gente precisa reservar um tempo porque quando começa queremos ver tudo de uma vez.

Na trama, acompanhamos a agente do FBI Alice Black (Emmy Rossum) na busca por uma serial killer que assassina homens de maneira fria e calculista. Paralelamente à investigação, a série vai revelando os traumas de Alice, entre eles o relacionamento abusivo com o ex-namorado, um policial que a agredia. É justamente essa construção gradual que torna a personagem tão interessante. Alice não é a típica protagonista heroica, imune a falhas e contradições. Ela carrega suas próprias feridas, e isso influencia diretamente a maneira como encara o caso.

O mesmo pode ser dito de Catherine Grace (Lola Petticrew), que também foge do estereótipo da serial killer. É surpreendente perceber o quanto Catherine e Alice têm em comum, apesar de estarem em lados opostos da investigação.

A narrativa é envolvente e me deixou completamente vidrada na trama, querendo descobrir quais seriam os próximos passos de Catherine e até onde iria seu plano de vingança. Ao mesmo tempo, a série consegue desenvolver o drama pessoal de Alice e os diferentes caminhos da investigação sem fazer com que uma história anule a outra.

Também é impossível ficar indiferente à forma como Fúria expõe o machismo dentro das estruturas corporativas. A série apresenta personagens masculinos violentos, tóxicos e, muitas vezes, convenientemente sonsos. Em contraponto, temos mulheres que, cada uma à sua maneira, carregam uma enorme força, como Catherine, Nora (Quincy Tyler Bernstine) e Alice.

Nora, aliás, é uma das personagens mais interessantes da série. Por trás de todo o cinismo, da raiva e do álcool, existe uma personagem acumulando uma verdadeira tonelada de frustrações. Ela poderia facilmente cair no estereótipo da detetive cansada, mas o roteiro consegue dar complexidade às suas atitudes e mostrar de onde elas vêm.

Fúria
Alden, interpretado por Steve Way, também foi uma surpresa bastante agradável. O personagem é surpreendentemente debochado e consegue trazer uma dinâmica diferente para a trama, funcionando muito bem dentro de uma história que, na maior parte do tempo, é bastante tensa.

O elenco é outro grande acerto. Todos estão muito bem, mas Lola Petticrew, Quincy Tyler Bernstine e Emmy Rossum conseguem se destacar ainda mais. As três entregam personagens cheias de nuances, que dificilmente podem ser classificadas simplesmente como boas ou más.

E talvez seja justamente aí que Fúria mais acerte, ao fugir do padrão bem versus mal. A série não está interessada em oferecer respostas fáceis ou personagens completamente inocentes. É uma produção tensa, dramática e bastante perspicaz, que utiliza o thriller policial para discutir violência, abuso e machismo sem perder de vista a força de sua narrativa.

Um dos melhores thrillers policiais deste ano.

Michele Lima

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