Do Fundo da Estante: Enigma Mortal

Enigma Mortal

Não tenho certeza, mas acho que Enigma Mortal, pérola dos anos 90, passou nas sessões noturnas de cinema da TV Bandeirantes, mas poderia ser exibido tranquilamente no Cine Trash às 3 da tarde.

Muitos não sabem, mas cenas de nudez, sexo e violência gráfica passavam de boa no período vespertino da TV aberta brasileira. Não havia classificação etária e quem estivesse mudando de canal corria o risco de ver o David Naughton peladão após ter virado lobisomem e destroçado alguém. Nudez, aliás, tem neste Enigma Mortal, como era de praxe. Depois de Instinto Selvagem (1992), todo filme de suspense, terror ou até mesmo policial tinha que ter peitos e bundas desfilando pela tela. E uns pelinhos pubianos também; pênis, só às vezes. Drew Barrymore mal acabara de completar 18 anos e quis deixar para trás sua imagem infantil. Ficou famosa aos cinco anos em E.T. – O Extraterrestre (1982), onde esteve em duas cenas inesquecíveis: a primeira, quando vê o E.T. pela primeira vez e começa a gritar, e a segunda, quando dá um beijinho de despedida nele, momentos que entraram para a história do cinema.

Em sua fase adulta e nos anos 90, Drew quis mostrar que já era “grandinha” e emancipada dos pais desde os 15 anos, e topou projetos polêmicos e de qualidade duvidosa. Nem sua indicação ao Globo de Ouro de melhor atriz coadjuvante por Diferenças Irreconciliáveis (1985), aos 9 anos de idade, a direcionou para uma carreira mais séria. Seguiu com os “sensuais” Relação Indecente (1992), Amy Fisher – A Ninfeta Assassina (1993) e este Enigma Mortal, do mesmo ano. Em ambos, Drew exibe o seu corpo entre cenas violentas, apostando em seu carisma para compensar seus limitados recursos dramáticos.

Enigma Mortal
Num roteiro mirabolante e com tantas reviravoltas que não restou outra alternativa senão apelar para o universo de Lovecraft, Drew interpreta Holly, uma bela garota que possui uma versão idêntica à sua, responsável pelo assassinato de sua mãe. Temendo ser a próxima vítima de seu doppelgänger (o título original), ela se muda para um quarto na casa do jovem aspirante a escritor Patrick (George Newbern, bem aqui), que se envolve com ela e tenta desvendar o mistério. À medida que a trama avança, o diretor Avi Nesher (de Programado pra Esquecer, de 1991) reza na cartilha dos thrillers que tinham cara de cine privé, com elementos sobrenaturais que faziam sucesso nas videolocadoras e Supercines da época.

Misturando Um Corpo que Cai (1958), Scooby-Doo e Hellraiser, Enigma Mortal é um clássico trash absoluto que vai arrancar risos e indignação, mesmo não sendo esta a proposta inicial. Pra ver pelo menos 1 vez. Vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Avoriaz.

Italo Morelli Jr.

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