Perdendo o Juizo [Crítica]

Perdendo o Juizo

Eu sempre acho que não existem séries de advogados e tribunais suficientes. Então, sempre que aparece uma, faço questão de assistir. Perdendo o Juízo, disponível na Netflix, decepciona no quesito tribunal, mas conquista pelos personagens e por algumas boas reviravoltas.

Amanda Torres (Elena Rivera) é uma advogada que, no mesmo dia em que sofre um aborto espontâneo, tem uma crise de transtorno obsessivo-compulsivo durante uma audiência. O episódio destrói sua carreira, leva ao fim de seu casamento e faz com que ela se isole em casa por alguns anos. Quando decide retomar a vida profissional, Amanda passa a trabalhar em uma pequena firma comandada por Gabriel Ochoa (Manu Baqueiro). A relação entre os dois funciona muito bem porque Gabriel simplesmente a aceita como ela é, e Amanda também acaba sendo muito bem recebida pelos demais funcionários do escritório.

Enquanto lida com diversos casos, Amanda entra em uma corrida contra o tempo para provar a inocência da irmã, acusada de assassinar o noivo no dia do casamento. Ao mesmo tempo, precisa conviver constantemente com o ex-marido, César (Miquel Fernández), que trabalha em um grande escritório de advocacia.

Os integrantes da firma são bastante carismáticos e têm uma dinâmica de apoio mútuo que funciona muito bem. Os casos variam bastante: alguns são mornos, enquanto outros prendem a atenção do início ao fim. A trama envolvendo a investigação do assassinato, por sua vez, tem fôlego e entrega uma boa reviravolta.

Perdendo o Juizo
Vale destacar também o elenco. Elena Rivera cria uma protagonista extremamente cativante graças à sua competência profissional, sem que o TOC defina toda a sua personalidade. Manu Baqueiro também conquista o público com um Gabriel simpático e acolhedor, enquanto Lucía Caraballo (da ótima série Animal) transforma sua coadjuvante em uma personagem bastante interessante.

Perdendo o Juízo não é um thriller jurídico intenso. Alguns casos são previsíveis, e o lado processual da série poderia ser mais interessante, mas ela compensa com personagens carismáticos, boas reviravoltas e uma abordagem sensível da saúde mental. Fico na torcida por uma segunda temporada.

Michele Lima

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