Pânico 7 [Crítica]

Em 2026, a franquia de terror slasher Pânico comemora 30 anos de seu nascimento nas telonas. E, para contar a história de Ghostface neste sétimo filme, era óbvio que a “Final Girl” mais famosa deveria voltar: Sidney Prescott (Neve Campbell), já que a atriz acabou ficando de fora do projeto anterior.
Além de Prescott, Gale Weathers (Courteney Cox) está de volta, assim como o retorno misterioso do primeiro Ghostface, Stuart Macher (Matthew Lillard). Ademais, temos o retorno de personagens introduzidos desde a quinta produção e novos nomes como Mckenna Grace, Asa Germann, Anna Camp e Joel McHale.
Para completar esse presente aos fãs, o criador e roteirista da saga, Kevin Williamson, está dirigindo, pela primeira vez, sua invenção. No entanto, essa “prenda” foi resultado de problemas em seu desenvolvimento, afetado por baixas no elenco, reformulação criativa na trama e saída do diretor no meio do progresso.
Em Pânico 7, Ghostface está de volta com um claro propósito: chamar a atenção da lendária Sidney, que está “aposentada”. Assim, o criminoso fantasiado ataca um casal que está na antiga casa de Stu Macher, o mesmo local do desfecho do primeiro e do quinto filme. O ambiente agora é um lugar de estadia, sendo uma sátira a localizações famosas ou similares de Hollywood colocadas para o público se hospedar, tendo várias referências ao Ghostface e aos filmes “A Facada”.
Sidney é alertada por sua icônica ligação de que o alvo principal é tirar a vida de sua filha, Tatum Evans (Isabel May), nome em homenagem à sua amiga assassinada em 1996. Com isso, Sidney precisará enfrentar traumas passados, já que o falecido Stu surge das cinzas, e será necessário cessar esse ciclo de perseguição mais uma vez.
O filme tem como base os mesmos arquétipos estruturais que já conhecemos da saga. E, teoricamente, isso é um ponto de equilíbrio, ficando mais pelo lado subjetivo. Mas, quando vemos os problemas internos relatados e a entrega do produto final, essa teoria se desfaz. É notório o quanto a cosmologia arquitetada foi afetada em comparação a essa nova “geração” da franquia.

Um dos pontos mais distintos de Pânico, em comparação a outros do gênero, sempre foi o uso do recurso da metalinguagem em sua linha narrativa. Mas, por aqui, não temos o mesmo impacto e propósito dos anteriores. Há mais humor em diálogos, que até tiram risos em alguns momentos, mas acabam se tornando forçados com o passar do tempo.
Um recurso utilizado para “brincar” com polêmicas atuais foi a introdução da Inteligência Artificial, abordada por causa do retorno enigmático de Stu. Contudo, temos um desperdício dessa ideia com o desenrolar da história, que poderia ter sido mais explorada, sendo introduzida apenas como referência.
Pânico nunca se levou a sério, porém as atuações nesta produção acabam sendo escrachadas, tirando qualquer tipo de conexão com os personagens, antagonistas e dramas. Mesmo jogando no “seguro”, o novo capítulo acaba tornando-se uma grande apunhalada no propósito nostálgico e narrativo.
FICHA TÉCNICA
Título: Pânico 7
Título Original: Scream 7
Direção: Kevin Williamson
Data de lançamento: 25 de fevereiro de 2026

