Os SUPERtontos [Crítica]

Se tem Park Eun-bin no elenco, eu assisto! Sei que, mesmo quando a trama não é perfeita, ela sempre faz diferença. E não foi diferente com Os SUPERtontos, da Netflix. O dorama mistura comédia, ação, ficção científica e super-heróis de um jeito bem bagunçado.
A trama se passa em 1999, às vésperas da virada do milênio e do medo do famoso “bug do ano 2000”. Eun Chae-ni (Park Eun-bin) é uma jovem considerada problemática e sem grandes perspectivas por conta de um problema no coração. Ela vive em conflito com a avó (Kim Hae-sook), que não a deixa sair da cidade. Ao colocar em prática um plano em que fingia ter sido sequestrada, a protagonista, junto com o amigo Kang Ro-bin (Im Seong-jae) e o rabugento Son Gyeong-hun (excepcional Choi Dae-hoon), cai em uma poça em um terreno abandonado e acaba ganhando superpoderes. O problema é que eles não conseguem controlar as novas habilidades.
Eun Chae-ni passa a se teletransportar, Kang Ro-bin ganha superforça e Son Gyeong-hun passa a grudar nas coisas, um poder bem fajuto e totalmente apropriado para o personagem. Logo, eles descobrem que o funcionário público Lee Un-jeong (Cha Eun-woo) também possui poderes, no caso, telecinese, e que a cidade está envolvida em um experimento científico ocorrido no passado. O grande vilão é Ha Won-do (Son Hyeon-ju), um cientista em busca da Criança da Eternidade, alguém incapaz de morrer. Ao seu lado estão os ex-amigos de Lee Un-jeong: Kim Pal-ho (Bae Na-ra), com o poder de manipular a gravidade; Seok Ju-ran (Jung Yi-seo), capaz de fazer lavagem cerebral nas pessoas; e Seok Ho-ran (Choi Yoon-ji), que cria alucinações.
O fato é que, apesar da premissa interessante, Os SUPERtontos demora a engatar. A partir do terceiro episódio a história começa a ficar interessante, mas a boa ação só aparece mesmo a partir do sexto episódio, ou seja, já na reta final. Os protagonistas são engraçados e têm personalidades muito distintas. Eun Chae-ni parece uma criança impulsiva, Kang Ro-bin é extremamente ingênuo e Son Gyeong-hun é irritante e covarde. Ainda assim, devo dizer que Choi Dae-hoon rouba a cena com esse personagem. O ator já havia se destacado em Se a Vida Te Der Tangerinas… e, aqui, protagoniza no episódio 7 a melhor cena do dorama.

Ainda que os personagens sejam bons, a série alterna entre momentos bem medianos e outros de ótima ação. O roteiro parece um pouco perdido entre a comédia e o drama, acertando o ritmo apenas na reta final. Um elenco desse porte merecia algo mais consistente, e nós, fãs, também.
Em suma, Os SUPERtontos entretém e é despretensioso, com uma história caótica e divertida. A parte da ficção científica fica devendo e senti que os personagens poderiam ter sido mais desenvolvidos, mas, no quesito comédia, o dorama não fica devendo em nada.
Michele Lima

