A Morte do Demônio: A Ascensão [Crítica]

Quem é fã do clássico original de 1981, gostou da continuação-reboot de 1987, embarcou na proposta cômica do terceiro filme de 1992 e aprovou o remake de 2013, vai se esbaldar com Evil Dead Rise, A Morte do Demônio: A Ascensão em português.

A franquia está viva graças à pouca quantidade de filmes lançados, o que de certa forma ajudou a não desgastar a ideia original. Foram vinte anos entre o terceiro filme e a refilmagem e mais dez para este novo, e entre eles, dezenas de filmes ruins sobre possessão demoníaca que ninguém mais lembra.

O primeiro longa conseguiu fazer história, segue sendo referência e foi idealizado, escrito, produzido e dirigido por um certo Sam Raimi, até então um jovem sonhador, cheio de ótimas ideias e pouco dinheiro. Muitos até cometem a heresia de preferir a versão de 2013 (feita com um orçamento bem maior e muitos litros de sangue falso) do que a matriz artesanal que jorrava creme de abacate pelos membros decepados dos pobres personagens. Hoje os efeitos práticos e a tecnologia evoluíram muito, mas só eles não bastariam para que um estúdio desse sinal verde para uma nova produção. O diferencial?

A história que se passava numa cabana no meio do mato foi transferida de maneira inteligente para um cenário urbano, em plena Los Angeles num daqueles portentosos edifícios antigos, cujos apartamentos são enormes, bonitos de dia e assustadores de noite. E sim, há muito sangue. Foram usados mais de sete mil litros de sangue falso, fora a quantidade vômito e secreções.

Após o prólogo que faz uma gambiarra com o Evil Dead de 1981, a técnica em guitarra Beth (a ótima Lily Sullivan) descobre que está grávida e decide visitar a irmã Ellie (Alyssa Sutherland, ótima também) e os três sobrinhos. Um terremoto com escala 5,5 abre uma fenda na garagem onde existe um cofre e dentro dele está o livro dos mortos com uns discos de vinil gravados por exorcistas católicos em 1923. Um dos filhos de Ellie, o aspirante a DJ, Danny (Morgan Davies) leva tudo para o apartamento e após ouvir os discos e folhear o livro feito de carne curada e ilustrado em sangue, liberta um entidade maligna que possui sua própria mãe e a carnificina começa.

Isolados no prédio devido ao terremoto e – óbvio – de noite, sem luz e sem internet, parentes e vizinhos tentaram sobreviver ao massacre. O elemento claustrofóbico do apartamento funciona tão bem quanto a cabana onde Ash (Bruce Campbell) passou os eventos de 1981. O remake de 2013 inseriu alguns elementos novos, mas manteve a cabana, respeitando o original. Já A Morte do Demônio: A Ascensão tem mais campo de ação, muda a localização do livro sem dar explicações e se conecta com o primeiro no melhor estilo “ciclo sem fim”, o que pode expandir o universo da franquia positivamente, desde que caia em mãos habilidosas e mentes evoluídas. 

O diretor Lee Cronin, que tem apenas um longa no currículo (o fraco O Bosque Maldito, de 2019) mostra uma competência absurda e consegue desempenhos marcantes de todo o elenco, inclusive da atriz Nell Fisher de apenas 12 anos. 

Câmeras certas no lugar certo, muitos close, atenção nos detalhes, direção de arte e fotografia bem cuidados, ótima maquiagem, excelente edição e um trabalho impressionante de mixagem de som, crucial para um bom filme de terror. As mulheres são sempre as loucas nessa franquia, são sempre as frágeis que surtam e são possuídas pelo mal e precisam ser destruídas, o que abre uma brecha para muitas interpretações que vão desde de saúde mental feminina à misoginia. Mia em 2013 era uma viciada em drogas e agora Ellie é a mãe de três filhos que foi abandonada pelo marido. Esses elementos usados para humanizar as personagens possuídas estão aqui pela primeira vez com a heroína Beth, uma técnica de som que é chamada erroneamente de groupie, cuja função é servir sexualmente aos integrantes de uma banda de rock. Ela também engravidou sem querer de um músico comprometido e mal sabe que será obrigada a enfrentar seus demônios, literalmente. Metáforas? Muitas e não há como não observá-las aqui e ali, assim como referências/homenagens a todos os filmes anteriores.

Juntando tudo, estamos diante de um exemplar digno da grife! A Morte do Demônio: A Ascensão é cheio de pontas soltas para uma continuação, ou até duas e um encerramento definitivo. Os fãs ficarão mais do que satisfeitos.

FICHA TÉCNICA

Título: A Morte do Demônio: A Ascensão
Título Original: Evil Dead Rise
Diretor: Lee Cronin
Data de Lançamento: 10 de abril de 2023
Warner Bros. Pictures

Itálo Morelli Jr.

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