Do Fundo da Estante: Scarface [Nostalgia]

Remake da ótima versão de 1932 protagonizada por Paul Muni e dirigida por Howard Hawks e Richard Rossom, Scarface tem tantos acertos que além de chegar aos pés do original, é superior na opinião de muitos – só não é uma bomba como concluíram os votantes do Framboesa de Ouro que indicaram Brian de Palma como o pior diretor daquele ano. 
Al Pacino, em uma das suas atuações mais memoráveis, é Tony Montana, um refugiado cubano em busca do sonho americano. Inconformado com o emprego de chapeiro numa lanchonete, não demora muito a se aproximar do tráfico de drogas e numa ascensão meteórica, fazer fortuna. Brian de Palma conseguiu fazer um longa de quase 3 horas de duração que não enrola e não cansa em nenhum momento. Não se conta nenhum diálogo e nenhuma passagem desnecessária, tudo está inserido dentro da história e Scarface é um baita filmão hollywoodiano (no melhor sentido) que cumpre sua proposta e continua com o mesmo frescor de sua estréia. 
A trilha sonora do mestre Giorgio Moroder é o que denuncia a época em que foi feito, fora isso, nenhum cacoete e mesmo os cenários e figurinos não ficaram bregas. O gênero “filme de gângster” está muito representado aqui, possui um vigor que bebe na fonte dos filmes Noir clássicos da década de 40 e ao mesmo tempo situa-se em meio ao cinema do gênero feito nos anos 70 por Martin Scorsese, vide Caminhos Violentos, de 1973.
Felizmente, apesar de ser um protagonista de peso aqui, Al Pacino não brilha sozinho. Steven Bauer está bem como o amigo e parceiro de vida do protagonista, mas o fato é que Scarface tem duas coadjuvante femininas excelentes: Michelle Pfeiffer e Mary Elizabeth Mastrantonio, nos papéis de esposa e irmã, respectivamente. Esquecidas pelo Oscar, assim como Pacino, Bauer, De Palma, Moroder e o filme como um todo, elas estavam em início de carreira e entregam atuações corajosas em papéis difíceis – não é a toa que se tornaram dois grandes nomes do cinema. Sem elas, Scarface perderia muito de seu brilho.
Apesar da longa duração, nem é necessário assistir em “episódios” de meia hora como fizeram com o Irlandês (2019)Scarface tem uma narrativa tão dinâmica que vale ser visto de uma tacada só. Brilhante.
FICHA TÉCNICA
Título: Scarface
Diretor: Brian De Palma
Data de lançamento: 17 de maio de 1984
Nota 4,5/5

Ítalo Morelli Jr.

6 thoughts on “Do Fundo da Estante: Scarface [Nostalgia]

  • 17 de julho de 2020 em 12:29
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    Eu ainda não assisti esse filme, o que é uma vergonha visto a sua importância no cinema. Adorei a resenha, sempre vejo elogios sobre o filme, preciso assistir com urgência!!!

    Beijos
    http://www.leiapop.com/

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  • 17 de julho de 2020 em 13:17
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    Eu pareço que nunca assisto nada porque sempre venho aqui e digo que ainda não vi kkkk. Mas esse, assim como as outras indicações, quero assistir.

    Abraço

    Imersão Literária

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  • 17 de julho de 2020 em 20:59
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    Uau! Parece ser um ótimo filme. Eu tenho medo de filmes longos depois de O irlandês rs

    Bom fim de semana!

    Jovem Jornalista
    Instagram

    Até mais, Emerson Garcia

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  • 18 de julho de 2020 em 04:07
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    Oi, Ítalo

    Nunca assisti! Para falar a verdade, até este exato momento tinha esquecido completamente da existência desse filme. Acho que eu poderia curtir, hoje em dia gosto de filmes nesse estilo. E a Michelle Pfeiffer menininha ali, gente!

    Beijos
    – Tami
    https://www.meuepilogo.com

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  • 19 de julho de 2020 em 02:49
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    Oi, Ítalo
    Eu acho que nunca ouvi falar desse filme, na verdade o título não me é estranho, mas eu nunca assisti. Gostaria de poder dar uma conferida, acho legal as indicações de filmes mais clássicos porque eu aprendo muita coisa legal sobre as histórias e as épocas que são retratadas. Peguei a dica!
    Beijo
    https://www.capitulotreze.com.br/

    Resposta

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