Pequeno Segredo [Resenha do Filme]

Conferimos a Cabine de Imprensa de Pequeno Segredo

Talvez a princípio a polêmica que evolve Pequeno Segredo, por entrar no lugar de Aquarius na corrida ao Oscar, possa chamar mais atenção do que o próprio filme, mas em poucos minutos do longa entendemos que o enredo aborda um tema complicado de maneira tão delicada que é difícil não se sensibilizar com as três histórias que se cruzam ao longo da trama. 

Kat (Mariana Goulart) é o ponto principal das narrativas, uma garota de 12 anos que possui o vírus HIV. Vemos Kat encarar todos os problemas da adolescência, como se apaixonar, comprar o primeiro sutiã, o bullying e a dificuldade em fazer amizades. Porém, Kat é uma garota forte e destemida, mais até do que sua mãe adotiva Heloísa Schürmann imagina.
Já a narrativa que conta história dos pais de Kat começa no passado até se intercalar no presente. Acompanhamos Robert (Erroll Shand) conhecendo Jeanne (Maria Flor) e se apaixonando, mas o personagem tem uma mãe difícil, intragável que não aceita seu emprego no Brasil. Mesmo assim, Robert opta por ter Jeanne em sua vida e confrontar sua mãe. Barbara (Fionnula Flanagan) faz chantagem para o filho ficar na Nova Zelândia e não perde nenhuma oportunidade de alfinetar sua nora. Nenhuma mesmo, a mulher é insuportável, preconceituosa, abusada, insensível e por mais que Jeanne ame seu marido é evidente nas expressões da personagem que ela vive triste e solitária.

Com muitas cenas de silêncio e observação da natureza (e é aqui que a direção peca nos clichês), vemos o quanto Jeanne vive infeliz, porque às vezes o amor não basta. Não basta para combater uma doença incurável, e às vezes também não basta pra combater as angustia e a solidão, mas ainda assim a mensagem que fica no final é de que o amor vale a pena. 
Os Schürmann foram um sopro de felicidade na vida de Jeanne quando ela nem sabia que o acidente que sofreu a contaminou com o HVI. Vivendo isolada, num pais estrangeiro, sem família, sem amigos e com uma sogra que não perde a oportunidade de magoá-la, os Schürmann foram mais do que amigos do casal, foram a família brasileira de Jeanne. E vendo todas as ações de Barbara, o espectador entende perfeitamente a opção de Robert em deixar sua filha com os Schürmann e não com sua mãe. Não que Barbara fosse incapaz de amar sua neta, mas parece que ela nunca aprendeu a amar sem machucar.

Os Schürmann acolhem Kat e a relação de Heloísa com a filha é um dos pontos chaves da trama. Heloisa viveu a vida de Kat, lutou por ela até o fim, sendo a filha o seu mundo e como toda mãe tentou protegê-la em todos os momentos, mas também deu liberdade para Kat ser feliz.
Pequeno segredo não é piegas, é delicado e sensível. Não vemos em nenhum momento diálogos exagerados (e acho que até poderia) ou choro carregado no drama, o que vemos são interpretações brilhantes como a de Maria Flor que sem derramar uma lágrima conseguiu mostra a angustia de sua personagem. Tudo bem que Marcello Antony, infelizmente, parece um figurante de luxo, mas Júlia Lemmertz contracena muito bem com a atriz irlandesa Fionnula Flanagan, pena que na melhor cena das duas, Julia não ouse o suficiente para carregar melhor o drama. Parece que neste ponto o diálogo em inglês tenha atrapalhado, deixando faltar um pouco de brilho no momento em que as atrizes deveriam brilhar mais.

Não sei dizer, sinceramente, se Aquarius merecia concorrer ao Oscar mais do que Pequeno Segredo, apenas sei que a história vivida pelas duas famílias é uma história universal, porque o amor é universal. Merece ganhar o Oscar? Talvez não (ainda que eu espere que sim), mas sem dúvida é uma trama que encanta.

Trailer:
FICHA TÉCNICA

Título: Pequeno Segredo
Diretor: David Schürmann
Data de lançamento no Brasil: 10 de novembro de 2016

Michele Lima

17 thoughts on “Pequeno Segredo [Resenha do Filme]

  • 10 de novembro de 2016 em 14:14
    Permalink

    Que coisa mais linda esse trailer!
    Eu não tinha visto nada sobre esse filme ainda, só um cartaz no cinema, mas achei ele super delicado.
    E me interessei bastante quando dizia lá que era o candidato do Brasil ao Oscar.
    Quero muito assistir, mesmo com os pontos negativos que você citou.
    A Julia Lemmertz é sempre excelente atriz e faz ótimos trabalhos.

    Beijoooos

    http://www.casosacasoselivros.com

    Resposta
  • 10 de novembro de 2016 em 14:28
    Permalink

    eu tenho curiosidade. adoro a júlia lemmertz. beijos, pedrita

    Resposta
  • 10 de novembro de 2016 em 16:10
    Permalink

    Caramba me interessei bastante pelo filme, adorei o tema que aborda e sou fã de filmes que entrelaçam histórias.
    Escrtitas de Verão

    Resposta
  • 10 de novembro de 2016 em 17:56
    Permalink

    Olá, Michele.
    Que interessante esse filme. Não conhecia ele ainda. Não sou muito fã de filmes do gênero, mas de vez em quando eu gosto de assistir para me emocionar um pouco hehe. Vou ver se assisto.

    Blog Prefácio

    Resposta
  • 10 de novembro de 2016 em 19:38
    Permalink

    Oi, Mi! Eu fiquei sabendo da estréia desse filme e fiquei muito curiosa porque retrata a vida de Kat, mas também pode retratar a vida de muitas famílias e jovens por aí. A beleza dos atores em mostrar delicadeza com a história é algo que me deixou muito curiosa para ver. Eu adoraria ver o filme mas nunca tenho tempo, mas espero sinceramente que consigam ganhar um Oscar (mesmo dificilmente).
    Beijo! Leitora Encantada

    Resposta
  • 10 de novembro de 2016 em 20:44
    Permalink

    Fiquei bem curiosa!

    Resposta
  • 11 de novembro de 2016 em 00:31
    Permalink

    Ainda não conhecia o filme, mas nossa, que assunto importante de ser retratado! Acho que dificilmente passa pela nossa cabeça a possibilidade de uma criança ser infectada pelo HIV, e as consequencias que isso trará pra vida dela. Um filme super válido mesmo!

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br/

    Resposta
  • 11 de novembro de 2016 em 01:02
    Permalink

    Gostei da dica Mi. Não conhecia o filme e achei a temática dele forte e comovente. A Maria Flor é uma ótima atriz, pena que a Julia Lemmertz tenha pecado um pouco no quesito emoção. Beijo!

    http://www.newsnessa.com

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  • 11 de novembro de 2016 em 03:06
    Permalink

    Oláááá Mi!!!!!
    Eu adoro a Julia Lemmertz e a Maria Flor, quero muito assistir ao filme <3
    Pelo que vc escreveu a narrativa traz a mensagem universal de amor, de esperança e tem uma alma feminina, com a presença marcante das atrizes.
    Um filme encantador e sensível.
    Amei a resenha <3
    Bjssssss Luli
    Café com Leitura na Rede

    Resposta
  • 11 de novembro de 2016 em 23:12
    Permalink

    Gostei demais do tema do filme e já quero muito ver. Uma vez participei de uma palestra do casal Schürmann e gostei muito. Trata-se de um assunte delicado e preconceituoso, ainda mais quando é uma criança a portadora do vírus, eu vou chorar com certeza vendo o filme. Obrigada pela indicação.
    Abraços,
    Gisela
    Ler para Divertir

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  • 12 de novembro de 2016 em 00:43
    Permalink

    Já vi tanto comentários bons quanto ruins desse filme. Acho que isso de pegar o lugar no Oscar deixou o povo com um pé atrás desde que Tropa de Elite perdeu, né? Eu curti o trailer, achei emocionante e pretendo conferir o filme.

    http://www.cantaremverso.blogspot.com.br

    Resposta
    • 16 de novembro de 2016 em 02:32
      Permalink

      Verdade Grazi, é um tipo de filme que só vendo pra gente ter certeza se é bom ou não! mas eu gostei!

      Bjs, Mi

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  • 14 de novembro de 2016 em 11:11
    Permalink

    Não é de hoje que venho querendo assistir esse filme, mas com meu tempo tão curto ele acaba ficando para traz. Gosto de histórias polemicas e confesso a você que só de ler sua resenha eu fiquei arrepiada, quero saber mais, preciso assistir esse filme.

    Beijinhos!
    Amanhecer Literário

    Resposta

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