Do Fundo da Estante – Relação Indecente

Não, não se trata do filme solo da Hera Venenosa e sim mais um longa-metragem tendo uma jovem Drew Barrymore protagonista, empenhada em se livrar da imagem de atriz mirim adorada desde sua atuação em E.T., de 1982. Drew nem havia crescido tanto assim, afinal ela tinha apenas 16/17 anos quando topou interpretar a sexy e perigosa adolescente Ivy, que se infiltra numa família rica através de sua única amiga de escola, a esquisita Sylvie (Sara Gilbert, ótima) e tenta seduzir o pai e se livrar da mãe.
O que começa como um estudo sobre duas personagens solitárias e problemáticas, amparados nas excelentes atuações, vai se tornando um suspense de toques hitchcockianos, repleto de situações dúbias, ainda que um tanto previsíveis. A atmosfera mórbida é envolta numa fotografia que trabalha bem luz e sombra para intensificar o clima, onde a mansão está sempre de janelas abertas e chove muito toda noite. Meio clichê, mas funciona.

Relação Indecente (Poison Ivy, 1992) transita entre um bom thriller estilo Supercine e um suspense erótico que seria tranquilamente exibido no Cine Privé. Lançado no mesmo ano que Instinto Selvagem, porém menos truculento e menos explícito, o longa dirigido pela atriz Katt Shea (Psicose 3), é correto e sabe explorar tanto a imagem Lolita de Drew, que está naturalmente bonita e alternando sensualidade com rebeldia, quanto a figura estranha e interessante de Sara Gilbert, que foi indicada ao Independent Spirit Awards de atriz coadjuvante. Destaque também para as atuações dos pais de Sylvie, interpretados por Tom Skerritt e Cheryl Ladd, além de Leonardo DiCaprio como figurante, que em breve se tornaria um astro global.
Não merece comparação nem com Lolita (1962) e nem com o já citado Instinto Selvagem (1992), por ser inferior aos dois, mas serve como passatempo. Legítimo exemplar dos anos 90. Nota 6,5/10

