Devoradores de Estrelas [Crítica]

Filmes de ficção científica ambientados no espaço já são um lugar-comum no cinema, mas o que faz Devoradores de Estrelas se destacar é seu humor, sarcasmo e a forma como aborda questões filosóficas sobre o sentido da vida.
Ryland Grace (Ryan Gosling) é um professor de ciências que, anos antes, chamou atenção ao questionar uma das bases da biologia moderna. Quando um fenômeno desconhecido começa a comprometer a sobrevivência da Terra, ele é recrutado por uma equipe de cientistas encarregada de investigar a ameaça. Os chamados astrofágicos estão reduzindo a energia do Sol e podem levar o planeta ao colapso em poucas décadas. Com sua inteligência e pensamento pouco convencional, Grace se torna peça-chave na busca por respostas.
A única esperança da humanidade é uma missão espacial rumo a um planeta distante que parece imune ao problema. Grace desperta sozinho na nave, sem memória de como chegou ali, e aos poucos reconstrói os acontecimentos por meio de flashbacks.
O que parecia ser uma jornada solitária acaba se transformando em uma história de amizade. Durante a missão, Grace encontra um alienígena chamado Rocky (James Ortiz). Nesse ponto, o espectador precisa aceitar algumas conveniências do roteiro, já que a comunicação entre os dois evolui rapidamente. Ainda assim, a relação construída entre eles é tão carismática que logo se torna o coração da narrativa.
Baseado na obra de Andy Weir, o mesmo autor de Perdido em Marte, Devoradores de Estrelas acerta em cheio na construção de seus protagonistas. Grace é um sujeito inteligente, mas acomodado, que usa o humor e o sarcasmo como mecanismo de defesa. Já Rocky combina inteligência, ingenuidade e uma enorme capacidade de empatia. A improvável amizade entre os dois torna o filme muito mais afetuoso do que eu imaginava.

A comédia é sutil e inusitada, especialmente para uma história que se passa em meio a uma crise existencial no espaço. Ela funciona tão bem porque Ryan Gosling domina o timing cômico. A ficção científica permanece interessante e envolvente, mas acaba ficando em segundo plano diante da relação entre os protagonistas.
Devoradores de Estrelas foi uma grata surpresa. Sentimentos como medo, covardia, amor e empatia são explorados sem cair no sentimentalismo excessivo. O longa encontra uma forma divertida e acessível de abordar o existencialismo, transformando grandes reflexões sobre a vida e nosso lugar no universo em uma aventura emocionante e repleta de humanidade.
Até o momento, o longa está disponível para alugar no Prime Video.
Michele Lima

