Uma Mente Excepcional [Crítica]

Gosto de me lembrar do tempo em que a televisão tinha o costume de produzir séries com casos para resolver semanalmente, as chamadas séries procedurais. Está em falta atualmente, mas sempre que tem alguma, eu assisto. É o caso de Uma Mente Excepcional, disponível no Disney Plus.
Aqui a protagonista é um tanto diferenciada. Com um QI muito acima da média, Morgan (Kaitlin Olson) é uma mulher extremamente inteligente. Convenhamos, não temos tantas protagonistas assim em séries. Mãe de três filhos e solteira, Morgan, assim como muitos com altas habilidades, tem dificuldade em se adaptar à sociedade. A protagonista nunca para por muito tempo em um emprego, mas trabalha como faxineira na delegacia de polícia. Até que um dia ela soluciona um crime e passa a trabalhar como consultora da polícia.
Karadec (Daniel Sunjata) é o parceiro de Morgan, que a princípio não gosta nada da sua nova companheira de trabalho, mas aos poucos os dois vão se dando bem. É perceptível que ela é essencial para o trabalho da polícia. E Morgan só aceita o trabalho em troca de sua chefe investigar o desaparecimento do seu ex-marido. Ela acredita que ele não sumiu para fugir da família e sim por outros motivos.
Morgan é uma protagonista engraçada, agitada, com um gosto duvidoso para roupas e uma boa mãe, mesmo que atrapalhada às vezes. Seu relacionamento com seu outro ex-marido, pai dos seus dois filhos, é ótimo e ele é quase um pai para a filha mais velha da protagonista, a adolescente Ava (Amirah J). Confesso que minhas cenas familiares preferidas são com Elliot (Matthew Lamb), um garotinho tão inteligente quanto a mãe.

Uma Mente Excepcional é cheia de clichês do gênero investigativo, mas agrada justamente por conseguir trabalhar o simples sem ser pretensiosa demais. E Kaitlin Olson faz um ótimo trabalho como protagonista, dando leveza em vários momentos ao mesmo tempo que segura bem no drama psicológico. É difícil não gostar da Morgan e de sua família.
Enfim, a série está com boa audiência nos Estados Unidos porque consegue unir a parte investigativa, mesmo que por vezes previsível, com personagens carismáticos e drama familiar. É uma série comum e o comum às vezes é tudo que a gente precisa.
Michele Lima

