Do Funda da Estante: Suspiria

Em 2027, Suspiria de 1977 completa meio século de existência e resistência. Sobreviveu ao terror dos anos 80, o terror teen dos anos 90, o pós-terror e a Era da Inteligência Artificial. É possível assistí-lo hoje e admirá-lo sem que nos pareça uma peça de museu sem valor algum.
Mesmo com todos estes méritos, Suspiria não está no mesmo patamar de O Bebê de Rosemary (1968), O Exorcista (1973), A Profecia (1976), Carrie – A Estranha (1976) e O Iluminado (1980), por um único motivo: o diretor Dario Argento capricha no clima, mas fica devendo no quesito roteiro. A fonte, o ensaio Suspiria de Profundis (1845) do escritor Thomas de Quincey, não foi adaptado em sua totalidade mas deu a base para a construção da narrativa que, em termos gerais, é considerada uma espécie de pesadelo.
A trama se passa na Alemanha, onde a nova iorquina Suzy Bannion (Jessica Harper) mal chega a uma prestigiada escola de balé e já se torna alvo de perseguição ao testemunhar a fuga de uma aluna posteriormente assassinada. A espetacular trilha sonora da banda Goblin conduz toda a trajetória da pobre protagonista que irá descobrir segredos terríveis nos bastidores.
Contar mais do que isso, estragaria o pouco de surpresas que Suspiria, de maneira nada sutil e com muito catchip barato usado pra representar o sangue falso e cenários de novela mexicana, entrega na parte final. Se não fosse o capricho de Dario Argento e a brilhante fotografia de Luciano Tovoli (de Profissão: Repórter, de 1975), Suspiria seria mais um episódio de Além da Imaginação, com atuações caricatas vindas de um elenco bem canastra. Nem precisava de um remake com quase três horas de duração em 2018, mas teve.
É exagero dizer que Veludo Azul (1986), Twin Peaks (1990), Drácula de Bram Stoker (1992) e Cisne Negro (2008) sofreram “forte influência” de Suspiria – no máximo algumas leves referências.
Ainda assim, vale uma revisita pra quem já viu e vale uma espiada pra quem descobriu agora o cinema de horror.
Italo Morelli Jr.

