Stranger Things – Final [Crítica]

Não parece que foi ontem que assisti à primeira temporada de Stranger Things, isso porque já se passaram 10 anos. É inegável o sucesso da série da Netflix, mas também é inegável como o tempo não ajudou. A pandemia e a greve em Hollywood contribuíram bastante para o atraso da conclusão e, para o próprio bem da série, teria sido melhor que ela tivesse terminado bem antes dessa quinta temporada.
Não me incomoda que os atores estejam mais velhos do que os personagens, Hollywood está cheia de adultos interpretando adolescentes. Na verdade, é até interessante que a Netflix tenha conseguido manter o elenco principal por tanto tempo. No entanto, não conseguiu manter o nível da série, que ao longo dessas cinco temporadas em 10 anos passou por altos e baixos, exatamente como aconteceu na última temporada. O primeiro volume nos mostrou uma reta final cheia de adrenalina, enquanto a segunda parte foi bem mais morna e cheia de enrolação. Já o episódio final deixou a desejar em muitas explicações, embora tenha finalizado bem o arco de cada personagem principal.
É perceptível que a série começa com muitos elementos de terror, sobrenatural e ficção científica, mas o terror foi sendo abandonado em várias etapas e, à medida que alguns personagens foram inseridos, outros deixaram de ter importância. O que dizer do pobre Jonathan (Charlie Heaton), que se apaixonou por Nancy (Natalia Dyer), venceu o rival amoroso Steve (Joe Keery) e foi pouco aproveitado nas últimas temporadas? Parece um figurante totalmente perdido. Já seu irmão Will (Noah Schnapp), tão importante na primeira e na segunda temporada, só volta a ter o devido destaque na quinta, enquanto Eleven (Millie Bobby Brown) ganha alguns dos plots mais chatos da série. Também não me conformo que Dustin (Gaten Matarazzo) tenha ficado, em alguns momentos, bem insuportável nesta temporada, algo até compreensível pelo luto. Ainda bem que Max (Sadie Sink) e Robin (Maya Hawke), ao menos, se mantêm como personagens carismáticas, e adorei a introdução de Derek (Jake Connelly). E falando em destaques, Holly (Nell Fisher), irmã do Mike, foi ótima, mostrando que as mulheres da família Wheeler são excelentes.

A falta de explicação em alguns pontos do roteiro incomoda bastante quando pensamos que os roteiristas tiveram tempo de sobra para amarrar todas as pontas. E o fato de haver um spin-off me desagrada mais ainda, uma tremenda falta de respeito com quem teve a paciência de acompanhar a série. Por outro lado, acho que os personagens tiveram uma boa evolução, especialmente Steve e Will. O garoto popular, meio babaca, amadureceu, se tornou o melhor amigo de Dustin e teve papel fundamental em todos os momentos da série. E Will, que sofre tanto desde o começo com o Mundo Invertido, também aprendeu sobre si mesmo e sobre se aceitar. Já Max e Lucas (Caleb McLaughlin) são, de fato, o melhor casal da trama, junto com Joyce e Hopper (David Harbour). Adorei o final deles. E espero que Hollywood não esqueça a maravilhosa Winona Ryder, que, inclusive, merecia mais destaque na última temporada, ainda que tenha tido uma cena incrível com o vilão Vecna. Vale ainda dizer também que o ator Jamie Campbell Bower compõe o vilão de maneira excelente.
Em suma, achei que o saldo da série foi mais positivo do que negativo, principalmente por manterem o foco na amizade. Entretanto, fica bem óbvio que os irmãos Duffer começaram Stranger Things de um jeito e terminaram de outro. Um bom planejamento não teria deixado tantas questões em aberto.
Michele Lima

