Infinity Pool [Crítica do Filme]

Para os fãs de Infinity Pool, quem não gostou do resultado, é chato, velho e muito exigente.

A verdade é que só se impressiona com Infinity Pool quem nunca assistiu um filme do Gaspar Noé, do David Lynch e do Nicolas Winding Refn. O agito nas redes sociais é tanta, que já começou uma campanha para colocar a Mia Goth no Oscar de 2024.

A personagem dela de Femme Fatale da Deep Web não faz nem cócegas na Catherine Tramell da Sharon Stone em Instinto Selvagem – é preciso ser uma pessoa analfabeta de cinema pra ver tantas qualidades num amontoado de cenas gore e psicodélicas unidas por um fiapinho de trama. O diretor Brandon Cronenberg só devia ter um único pensamento durante as filmagens: “ô vô arrebatá crítica e público, além de deixar papai David orgulhoso”.

Num resort de luxo localizado numa cidade exótica e fictícia, quem cometer um crime pode pagar por um clone ser executado no seu lugar pela pena de morte local. A partir disso, não há limites para a diversão e a crueldade, nem pra violência, sexo e drogas.

Alexander Skarsgard é um baita ator desde a série True Blood, Big Little Lies e o ótimo O Homem do Norte. Aqui ele é um dos produtores executivos e é nítido que reservou para si as cenas mais complexas e uns 80% do tempo em tela no mínimo. Ele se joga totalmente na loucura do roteiro sem medo de ser feliz. A trilha sonora é daquelas bem enervantes, cheia de sintetizadores retrô pra dar aquele clima de futuro distópico, hedonista e sangrento. Quando a bizarrice parece não ter mais pra onde ir, surge uma cuia do santo daime local e os personagens se afundam na mais pura diarreia mental. É preciso ter nervos de aço, estômago de chumbo e cérebro de adamantium pra assistir um verdadeiro videoclipe de orgias e mutilações regadas a secreção corporal e em seguida, um reset que permite que tudo recomece como se nada tivesse acontecido.


Mia Goth vem fazendo de tudo para se tornar a Rainha do Terror do século XXI. Neta da atriz brasileira Maria Gladys, ela estreou em Ninfomaníaca 2, participou do ótimo A Cura, o discutível remake de Suspiria, e a trilogia X – A Marca da MortePearl e MaXXXine. Só não foi indicada ao Oscar por Pearl graças a uma campanha fraca do estúdio e ao desinteresse dos votantes do Oscar em filmes de terror. Depois da polêmica em torno da indicação ao Oscar via Twitter da atriz Andrea Riseborough, Mia deve tentar buscar um reconhecimento maior por ter aceitado participar de um projeto tão arriscado e polêmico. A tal cena elogiada, onde sua personagem armada, brada palavras de ameaça ao protagonista enquanto passeia no capô de um carro em marcha lenta, pra mim foi péssima. Fica visível a canastrice dela quando é necessário mostrar talento dramático. Já nas cenas de sexo e nudez, ela tira de letra, com o mesmo despudor que Sharon Stone já fez há mais de 30 anos, mas sem a mesma fúria e sensualidade. Outros que foram mal escalados são os desconhecidos Cleopatra Coleman e Jalil Lespert, os respectivos cônjuges dos protagonistas, em atuações pra lá de apáticas.

Ainda tenho fé que Brandon vai amadurecer, acertar a mão e conter os excessos que ele supõe que irão fazer barulho. Neste Infinity Pool, muito menos seria bem mais.

FICHA TÉCNICA

Título: Infinity Pool
Direção: Brandon Cronenberg
Data de lançamento: 27 de janeiro de 2023 (Canadá)

Italo Morelli Jr.

One thought on “Infinity Pool [Crítica do Filme]

  • 23 de fevereiro de 2023 em 16:58
    Permalink

    Um filme com uma excelente proposta. Gostei da resenha.

    Boa semana!

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    Até mais, Emerson Garcia

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