Hellraiser [Crítica do Filme]

É um alívio saber que este 11° filme da franquia além de superar as expectativas provocadas com o ótimo trailer, não é um filme de princesa Disney como é o discutível prequel de O Predador. Curioso também é o dinheiro alto liberado pela “toda-poderosa” para um longa-metragem de terror derivado de uma franquia desprezada após tantos fracassos.

Outro ponto a favor é a atuação pra lá de inspirada de Jamie Clayton como o líder dos Cenobitas. Ela entrega sedução, poder, charme, ameaça e elegância, mesmo debaixo de maquiagem pesada, efeitos práticos e um excelente trabalho da mixagem de som que fez com que seu tom de voz se aproximasse do timbre do ator Doug Bradley, intérprete do Pinhead no filme original de 1987. Pra quem não se lembra, Jamie Clayton é uma atriz trans e ficou conhecida por seu trabalho no seriado Sense 8. Seria justo ver seu nome entre as finalistas do Oscar, mas justiça é algo que raramente acontece neste mundo…

A história acontece dentro do universo criado pelo escritor Clive Barker no livro The Hellbound Heart, de 1986: o cubo misterioso, personagens problemáticos e gore no último grau. A protagonista aqui é Riley (a talentosa Odessa A’zion), uma adicta sem grana que namora Trevor (Drew Starjey) e divide o apartamento com o irmão Matt (Brandon Flynn) seu companheiro Colin (Adam Faison) e a amiga Nora (Aoife Hinds).

Riley, que está limpa há seis meses e mesmo assim não consegue um emprego, é convencida por Trevor a estourar um cofre onde supostamente encontrariam peças de valor. É lá que está a Caixa de Lemarchand, um belo e estranho cubo de metal que se movimenta e expõe pequenas lâminas afiadas. A tal caixa foi criada pelo artesão Phillip Lemarchand, que após anos construindo peças mecânicas, passou a se dedicar ao ocultismo.

O misterioso cubo traz um enigma que se resolvido libera uma lâmina afiada que ao ferir e derramar sangue faz com que os cenobitas, liderados pelo The Priest, saiam de sua dimensão e apareçam na Terra para torturar seus convocadores. Eles trazem a promessa de tipos inéditos de prazer, porém o que para eles é “normal”, para os humanos é a mais pura e insuportável tortura, onde os cenobitas se “alimentam” do sofrimento e da dor.

Os cenobitas em Hellraiser são servos da Ordem de Gash, governados por Leviatã, o Rei do Inferno. Eles são criados quando duas almas se combinam e variam em aparência, por conta das mutilações e modificações que apresentam em seus corpos. Nesta versão de 2022 saem os figurinos de vinil e os cenobitas aparecem nus, expondo seus corpos escarnificados, num impressionante trabalho de maquiagem, complementado pela ótima fotografia.

Hellraiser realmente engata quando Riley vai em busca do irmão levado pelos cenobitas ao se ferir acidentalmente com o cubo. Juntamente com os outros personagens, ela parte para a bela mansão do sr. Voight (Goran Visnjic), de quem o cubo foi roubado. Em sua busca sem limites por um prazer diferenciado, já que sua imensa fortuna não o satisfazia mais, o sr Voight passa a viver uma realidade muito cruel e seu desfecho é pior ainda.

O diretor David Bruckner (de A Casa Sombria) nos transporta lá pros anos 90 (sim, este Hellraiser parece ter sido feito em pleno anos 90) e revitaliza a franquia que agonizou do 5° ao 10° filme. Preferindo efeitos práticos do que CGI e apostando no talento dramático de sua protagonista, Bruckner fez um bom trabalho, respeitando a mitologia do personagem central e adicionando um novo elemento na figura andrógina da atriz Jamie Clayton, o que aproxima a trama do seu material de origem, onde o Pinhead é um ser andrógino com voz feminina.

Jamie Clayton faz aparições pontuais e mesmo assim domina o filme, quase trazendo o protagonismo pra si. Os outros cenobitas coadjuvam bem, mas fica claro a intenção de produzirem novos filmes, já que não se entrega todo o ouro de uma vez. Odessa A’zion é uma final girl respeitável, cheia de camadas dramáticas e não cai na pieguice apelativa – merece fazer um retorno nas próximas produções, se tiver. Um embate corpo a corpo com a pinhead da Jamie Clayton ficou na promessa, pra delírio dos fãs da saga e dos filmes de terror que salvaram o ano de 2022 da chatice. Que venha mais.

FICHA TÉCNICA

Título: Hellraiser
Direção:  David Bruckner
Data de lançamento: 28 de setembro de 2022
20th Century Studios

Italo Morelli Jr.

One thought on “Hellraiser [Crítica do Filme]

  • 29 de março de 2023 em 15:09
    Permalink

    Parece ser um filme incrível. Quero muito assistir.

    Boa semana!

    O JOVEM JORNALISTA está no ar com muitos posts e novidades! Não deixe de conferir!

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    Até mais, Emerson Garcia

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