Bom dia, Verônica [Resenha Literária]

Bom dia, Verônica foi lançado em 2016 e havia todo um mistério por trás da autoria da obra. Ninguém sabia quem era a autora (o pseudônimo usado foi Andrea Killmore).
Li o livro um ano após seu lançamento, sendo esta uma leitura marcante que foi capaz de tirar o meu sono. E agora, em 2019, finalmente foi revelado quem estava por trás da criação desta obra! Andrea Killmore é, na verdade, duas pessoas. Raphael Montes e Ilana Casoy. Esta revelação deixou o livro ainda mais especial. 
Agora, vamos conversar sobre esse enredo tão perturbador.
Verônica é secretária do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa de São Paulo. Seu trabalho é um tanto que monótono, ela sempre sonhou em trabalhar em campo; investigando crimes e fazendo a diferença.
Carvana é o seu chefe, que está prestes a se aposentar. Se antes já tratava os casos que recebia com desgosto, agora era ainda pior. Carvana era o descaso em pessoa, e isso revoltava Verônica.
A história já tem sua reviravolta nas primeiras páginas. Marta Campos procura o departamento para fazer uma denúncia. Caíra num golpe. Havia sido roubada e lesada. 
Os golpes em seu emocional foram profundos, sua dignidade fora tirada de si junto aos seus bens materiais, mas Carvana não a acolheu da forma devida. E bem ali, no Departamento de Homicídios, ela se suicida, para dar fim ao seu sofrimento.
Verônica se compadece tanto com a mulher que acredita ser capaz de fazer justiça, e é assim que inicia uma investigação para pôr as mãos no homem que tanto machucou Marta. Isso, claro, sem o conhecimento de Carvana e da equipe policial.
Como já não bastasse nossa agonia por Verônica iniciar algo tão arriscado, outro caso cai em suas mãos. 
Janete é uma mulher que há muito tempo vive isolada por causa de seu marido. Não tem contato com sua família, não tem amigos. E acreditem; essa não é a pior parte.
Além de ser vítima de violência doméstica, Janete acredita que seu marido é um verdadeiro assassino.

(…) tudo em que ele encosta apodrece.

Tomada pelo medo e pela perspectiva de dar fim ao seu sofrimento, liga para o Departamento e pede socorro à Verônica.
Assim, Verônica assume por si só dois casos. O que ela não sabe, é que ambos são mais sombrios do que poderia imaginar.

 – Acho que meu marido vai me matar. – A voz dela era firme e estranhamente calma.
– E por que ele faria isso?
– Ele gosta de matar mulheres.
– Ele já matou outras?
– Já, muitas.
– Um assassino de mulheres?

A obra em si é completamente envolvente. Ficamos sem fôlego, tememos pela vida de Verônica, e quanto mais nos é revelado sobre os personagens, mais envolvidos ficamos. É realmente doloroso precisar largar o livro sem concluir a leitura.
Verônica é uma personagem que, mesmo sendo irresponsável, cativa pelo fato de querer fazer justiça. 
Ambos os casos que ela tenta solucionar revela a monstruosidade do ser humano. Mesmo sendo uma história de ficção, existe impregnado no enredo a denúncia do descaso, a personalidade inquestionável de homens considerados do bem, o machismo por parte dos departamentos de polícia; e o quanto profissionais dispostos a fazer diferença são postos de escanteio.
Foi uma releitura que me fez reviver os momentos de tensão e desespero que senti da primeira vez que li. Mesmo sabendo o que iria acontecer me peguei tensa e com medo por Verônica. 
“(…) Ela não caça. Só ataca quem tenta caçá-la.”
Tive pesadelos da primeira vez que li, o envolvimento foi tanto que temi pela personagem ao ponto de sonhar com ela. E além do mais, os temas abordados são pesados, dignos de tirar o sono: necrofilia, estupro, tortura…
Preciso ressaltar que mesmo sendo temas horripilantes, a narrativa os trata de uma forma voltada para denúncia, e não com o intuito de provocar repulsa no leitor. 
Muito próximo à realidade, o livro choca e se torna inesquecível. É com toda certeza uma grande obra do gênero! E o que é melhor, 100% nacional.
A editora revela que o livro mescla realidade e ficção. E querem mais? Após comprar os direitos de adaptação da obra, a Netflix está apostando tudo na produção da série. A gravação já foi iniciada, e o elenco principal conta com Tayná Müller, Eduardo Moscovis e Camila Morgado.
Ansiosa para assistir! E mais ansiosa ainda pelos outros livros, que devem chegar muito em breve.
FICHA TÉCNICA
Título: Bom dia, Verônica
Autores: Raphael Montes e Illana Casoy
Ano de Lançamento: 2016 (Segunda edição 2019)
Páginas: 251
Nota: 5 estrelas (favorito)
Onde Comprar: AmazonDarkSide® Books
 

Bianca Gonçalves

6 thoughts on “Bom dia, Verônica [Resenha Literária]

  • 24 de novembro de 2019 em 22:25
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    Oi Bianca, tudo bem?
    Adoro livros investigativos e sua resenha me deixou mais curiosa quanto a este título.
    Também quero muito conferir a série quando sair!
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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  • 25 de novembro de 2019 em 01:56
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    Oiii Bianca

    Preciso ler esse livro, acho que vou gostar da leitura, é nacional, retrata temas sérios com tom de denuncia e ambos os autores são sempre mega elogiados, especialmente o Raphael.

    Beijos, Ivy

    http://www.derepentenoultimolivro.com

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  • 25 de novembro de 2019 em 02:11
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    Oi, Bianca
    Eu não gosto de suspense mas até eu me senti cativada por essa história. Eu quero ler KKKKK Tô bastante envolvida, já senti agonia pela Verônica e pelas vítimas. Tão bom quando os autores conseguem envolver algo que prende a gente e mesmo depois de lido ainda nos deixa marcas.
    Beijo!
    http://www.capitulotreze.com.br/

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  • 25 de novembro de 2019 em 04:18
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    Oi, Bia

    Eu quero ler por conta da adaptação, mas não compro livros da editora, então encontro-me em um dilema moral. Hahahah
    Como gosto muito do Raphael, acredito que será um obra que irei apreciar. Vamos ver.

    Beijos
    – Tami
    https://www.meuepilogo.com

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  • 25 de novembro de 2019 em 10:19
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    Oi Bia!
    Eu nao tenho condições de ler os livros desse homi. Sao perturbadores demais e eu medroso. Acho legal o hype com um autor nacional reconhecido mas terror infelizmente eu passo longe.

    Abraços
    Emerson
    http://territoriogeeknerd.blogspot.com/

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