A Morte do Demônio: Em Chamas [Crítica]

Evil Dead Burn

Com apenas um único filme no currículo (o bacana Infestação, de 2023), o francês Sébastien Vaniček foi o escolhido por Sam Raimi para comandar o novo capítulo da franquia Evil Dead, o Evil Dead Burn (A Morte do Demônio: Em Chamas em português) – tarefa difícil após os excelentes Evil Dead (2013) e Evil Dead Rise (2023). Tio Raimi acertou, pois Sébastien deu conta do recado.

Após um impactante prólogo que faz link com os eventos do filme anterior, Evil Dead Burn segue em ritmo desenfreado, colocando muitos elementos em suas quase duas horas de projeção. E na ânsia de errar o menos possível e aproveitar ao máximo cada linha do roteiro, o diretor deixou a imaginação correr solta, caprichou no gore e em cada enquadramento de câmera, afinal, trata-se da franquia Evil Dead e os fãs devotos são a ponta final de seu trabalho.

Alice (Souheila Yacoub, de Clímax e Duna) está em luto após o marido Will (George Pullar) sofrer um acidente de carro. A convite do cunhado Joseph (Hunter Doorhan), Alice se junta a ele, sua namorada Thya (Luciane Buchanan) os ex-sogros (Errol Shand e Tandi Wright) e a avó Polly (Maude Davey) na casa que pertenceu ao avô de Will. Não demora para que as possessões e a carnificina comecem. Com uma edição de imagens acelerada que não permite que o espectador tenha um segundo de alívio, Evil Dead Burn é um verdadeiro festival de mutilações, closes sangrentos, acrobacias e perseguições, tudo (óbvio) em um espaço fechado e (obviamente) à noite em lugar isolado.

A analogia de que conviver com a família do marido pode ser um verdadeiro inferno para muitas mulheres, ganha contornos extremos aqui. Se em alguns momentos, o diretor pesa a mão (como na segunda cena pós-créditos), o fato de não fazer uso excessivo do humor, o aproxima do que Sam Raimi fez no Evil Dead original e ao uruguaio Fede Alvarez no competente remake de 2013. O elenco, muito bem escalado, merece destaque.

Evil Dead Burn

Exceto Souheila Yacoub (que é suíça) e Hunter Doorhan (que é estadunidense), os outros  do elenco são australianos oriundos da TV e estão todos muito bem em cena, sem exceção.

Porém, bem que poderiam ter deixado de fora a desnecessária sequência final (numa clara homenagem a um clássico da ficção científica) que destoa completamente do que se viu até então e não acrescenta nada na mitologia. É aí que Sébastien perde a mão e o longa dá uma derrapada, mas nada que comprometa o restante – dá vontade de futuramente editar essa parte utilizando o Ópera.

Exageros à parte, o filme é bem-vindo e muito superior aos últimos lançamentos do gênero, graças ao respeito pelo que foi estabelecido até aqui. Agora é aguardar até que alguém vá além do que ficou registrado em Evil Dead Rise, já que o próximo Evil Dead Wrath se passará em 1972, antes do primeiro Evil Dead.

Nota 7/10

Italo Morelli Jr.

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