O Incrível Circo Digital [Crítica]

O Incrível Circo Digital me chamou atenção desde a estreia na Netflix, mas a verdade é que a animação já estava fazendo sucesso antes mesmo de chegar no streaming, já que é uma websérie animada que virou sucesso no Youtube.
Na trama acompanhamos um grupo de pessoas reais em um mundo digital, representando avatares dentro do universo de fantasia, e sem a possibilidade de fuga! Eles não podem morrer, mas podem enlouquecer e de certa forma se alienam de um modo que parece a morte. O circo é comandado pela sádica inteligência artificial chamada Caim (temos o Abel?) que obriga os personagens a participarem de loucas aventuras. Aos poucos vamos conhecendo cada uma das pessoas presas nesse universo e alguns episódios são memoráveis. Por exemplo, o segundo, em que um personagem descobre que é apenas um NPC (Personagem Não Jogável). O coitado entra em surto e eu amei o toque O mundo de Sofia.
A animação em 3D tem uma ambientação nostálgica, psicodélica, alucinante, beirando a loucura. Por vezes a comédia ganha contornos de terror e drama. O grande conflito dos personagens é a angústia que sentem presos no lugar e seus traumas pessoais. A reta final foca bastante na protagonista Pomni e no personagem Jax, que claramente vai entrando em surto, além de Caim, cada vez mais fora de controle.
Meu único problema com o final é como as coisas escalonam muito rápido. Ao contrário de muita gente, eu gostei das resoluções dadas. Há muitas analogias na obra e por baixo de toda comédia e cenários incríveis há questões filosóficas que persistem ali. E se nossas vidas não fossem nada mais do que meros simulacros? Se não houver propósito? Não estamos mesmo só tentando preencher o vazio? É um final agridoce, sem dúvida, mesmo com a tentativa final de feliz. Encaro, inclusive, como uma mensagem muito clara sobre como o apoio pode ajudar vítimas de depressão. E também como não é possível salvar quem não quer ser salvo.

Seria muito bom se a criadora houvesse se decidido por mais uma temporada e deixado os pontos principais para serem revelados mais adiante. No entanto, existe um aspecto positivo de em tempos em que esticam as séries por audiência, nos deparamos com uma obra curta.
O Incrível Circo Digital não é uma obra rasa, apesar de parecer. É uma animação curta e bastante ousada. Sofreu por ter um final rápido demais, mas a jornada foi gratificante. Vale também destacar que a dublagem brasileira está excepcional com Leticia Celini e Guilherme Briggs.
Michele Lima

