The Boys – Temporada Final [Crítica]

Algumas séries se alongam demais e acabam perdendo o momento ideal para um grande encerramento. Infelizmente, esse é o caso de The Boys. Baseada nos quadrinhos de Garth Ennis e Darick Robertson, a série criada por Eric Kripke nunca teve uma história tão extensa para contar e, ainda assim, foi esticada até a quinta temporada. No meio disso, ainda ganhou um spin-off que pareceu tratar o público como palhaço. Gen V não teve conclusão, os personagens pouco acrescentam à trama principal e quase nada do que aconteceu ali teve peso real em The Boys. No fim, um grande desrespeito.
A quinta e última temporada prometia um final apocalíptico, mas entregou episódios bastante medianos, com exceção dos dois primeiros. Não chega a ser um desastre, mas também não parece uma temporada final.
Capitão Pátria, ou Homelander (Antony Starr) agora quer convencer o mundo de que é um deus. Quem duvidar disso simplesmente morre. Paralelamente, o grupo liderado por Bruto (Karl Urban), pretende usar o vírus apresentado em Gen V para exterminar não apenas o Pátria, mas todos os supers. Isso gera um enorme conflito interno, já que personagens como Kimiko (Karen Fukuhara) e Luz-Estrela (Erin Moriarty) também seriam afetadas.
Ao mesmo tempo, o grupo descobre a existência do V1, fórmula usada em Soldier Boy que é responsável por torná-lo praticamente imortal. Boa parte da temporada gira em torno da corrida para encontrar essa fórmula antes do Capitão Pátria, já que, nas mãos dele, isso significaria criar um inimigo impossível de derrotar. Embora a trama envolvendo o V1 leve a consequências importantes, o arco do vírus acaba parecendo subaproveitado.
Nas tramas pessoais, Kimiko e Francês (Tomer Capone) seguem como um ótimo casal. A relação dos dois acaba sendo um dos pontos altos da temporada. Já Hughie (Jack Quaid) e Luz-Estrela pareciam cansados de si mesmos. Leitinho (Laz Alonso) também teve sua trama pessoal enfraquecida. Bruto não evolui e nem regride, apenas mantém o mesmo padrão de complexidade moral que sempre carregou, algo que funciona bem dentro da proposta da série.
Profundo (Chace Crawford) continua intragável, enquanto Sábia (Susan Heyward) talvez tenha sido a maior decepção da temporada. Para alguém apresentada como a pessoa mais inteligente do planeta, suas decisões muitas vezes parecem absurdamente burras. Já o Capitão Pátria prova mais uma vez que The Boys sempre girou em torno dele. Sádico, cruel, sociopata e narcisista, o personagem ainda apresenta uma relação complexa com Soldier Boy, algo interessante de acompanhar. Vale destacar que Antony Starr continua excepcional no papel e sustenta boa parte da força da série sozinho.

Se nos quadrinhos os autores não tiveram medo de entregar um final extremamente trágico, Eric Kripke prometeu carnificina e até entrega parte disso, mas faltou coragem para realmente levar as consequências ao extremo como muitos esperavam.
Ao longo de cinco temporadas, The Boys conseguiu construir uma sátira social muito mais atual do que parecia possível quando estreou. Manipulação das massas através da mídia, uso da religião como ferramenta de poder, culto a celebridades e polarização política sempre estiveram presentes de forma exagerada, mas assustadoramente próxima da realidade.
Sempre gostei da proposta da série de mostrar como seria o mundo se humanos realmente tivessem superpoderes, especialmente se alguém com habilidades semelhantes às do Superman fosse uma pessoa terrível. A premissa sempre foi excelente e funcionou muito bem ao lado do gore e das situações absurdas. O problema é que, depois de um tempo, a fórmula começou a saturar. As bizarrices deixaram de chocar porque o público já esperava por elas.
Ainda assim, o saldo final é positivo. The Boys entregou uma sátira afiada sobre a sociedade atual, personagens marcantes e uma história que conseguiu prender o público mesmo em meio aos altos e baixos.
A guerra dos garotos contra os “heróis” chega ao fim, mas os produtores ainda vão insistir em expandir esse universo com Vought Rising, algo que, sinceramente, não pretendo acompanhar.
Michele Lima

