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O Rei do Show [Resenha do Filme]

Conferimos a Cabine de Imprensa de O rei do Show.

Histórias reais às vezes são menos mágicas do que as contadas no cinema e eu tenho certeza que nem o verdadeiro PT Barnum poderia mostrar a sua vida de modo tão empolgante, porque empolgação é o que define O Rei do Show. Com uma trama de superação simples, mas com batidas musicais fortes e agitadas, o filme nos deixa mais leve com todo o encantamento que um bom musical deve ter.
PT Barnum (Hugh Jackman) foi o showman no século 19, nasceu pobre, enfrentou diversas dificuldades na vida e usou um grande momento de crise para expressar toda a sua criatividade. Esperto e com um ótimo faro para negócios e marketing, o protagonista faz uma grande aposta ao comprar um teatro antigo e usar aquilo que era considerado feio e bizarro como atração. É o nascimento do circo, das atrações com animais, mágica e com pessoas de todas as cores, formas e tamanho. E o grande mérito de PT Barnum foi colocá-los como iguais no palco, onde ao menos lá eles não precisavam ter vergonha de quem eram. No entanto, a obsessão do protagonista pela aceitação na sociedade o leva a ter problemas, já que as luzes da fama também cega até mesmo os melhores intencionados.
As canções marcam às vezes as passagens de tempo, o que deixa o longa bem ágil e dinâmico, vemos PT Barnum criança se apaixonar pela filha de um homem rico para logo depois o personagem aparecer adulto, buscando o grande amor de sua vida. Charity Barnum (Michelle Williams) larga todo o conforto da sua família para viver com o marido e mesmo nas horas mais difíceis esteve ao seu lado e foi ela, assim como Phillip Carlyle (Zac Efron), que alertaram PT da sua obsessão em ser aceito por todos, algo muito difícil numa sociedade preconceituosa. Quanto mais fama e sucesso o protagonista tinha, mais críticas negativas também apareciam, bem como manifestação daqueles que achavam que o bizarro deveria ser escondido, como se mostrar a diferença fosse uma verdadeira ofensa.
O enredo não se aprofunda muito em outros personagens que não seja o protagonista, exceto talvez por Phillip que abandona a mordomia da família e o conforto do trabalho para seguir os passos de PT Barnum e se apaixona por uma das integrantes do grupo, Anne Wheeler (Zendaya). Um amor complicado não só devido ao fato de pertencerem a classes sociais diferentes, mas também por Anne ser negra. Entretanto, de modo geral, os personagens secundários que são bem carismáticos, servem apenas de apoio para o desenvolvimento principal da trama que também é bem simples, não muito profunda e sem grandes dramas.
Nem sempre ao ver grandes musicais temos vontade de escutar as músicas em casa ou o tempo todo e com o Rei do Show foi bem diferente. As canções são animadas e as baladas emocionam. Destaque para This is Me, The Greatest Show, Rewrite The Stars, em que vemos Zac Efron arrasando musicalmente mais uma vez, e minha preferida A Million Dreams. O som forte das músicas ao estilo pop, facilmente comercializadas, deixam o espectador bem animado e casam perfeitamente com o clima de show do longa.
Se alguém ainda tinha alguma dúvida sobre o talento de Hugh Jackman com certeza não terá mais depois desse filme. O ator canta, dança e representa muito bem um PT bem mais romantizado do que de fato foi o verdadeiro. Zac Efron (oremos para que ele tenha agora um rumo melhor na sua carreira) também está muito bem no papel, bem como o elenco infantil e os talentos do circo, como Keala Settle de mulher barbada e Sam Humphrey como o anão.

Apesar do roteiro singelo e de fácil resolução de Jenny Bicks e Bill Condon (Chicago), o longa é encantador e toca em temas bem relevantes como o valor em dar dignidade àqueles que são diferentes e que não se encaixam no padrão da sociedade. Também não deixa de ser uma boa aula sobre a industria do entretenimento, publicidade, superação de vida e a importância de não desistir de seus sonhos. O Rei do Show é mágico e o entretenimento é garantido.

Trailer:
FICHA TÉCNICA
Título: O Rei do Show
Título Original: The Greatest Showman
Diretor: Michael Gracey
Data de lançamento No Brasil: 25 de dezembro de 2017.
Michele Lima
Na Nossa Estante

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