Falando a Real – Terceira Temporada

Acho que é mais fácil fazer uma crítica de uma série ruim do que de uma série boa. Não tenho absolutamente nenhuma reclamação de Falando a Real (Shrinking), da Apple TV, que se tornou uma das minhas preferidas da vida. Um texto afiado, sarcástico, bem-humorado e cheio de boas reflexões. Falando a Real toca em pontos sensíveis e nos mostra o grande valor da terapia.

Eu sei que muita gente ainda subestima o tratamento psicológico, mas, como paciente, preciso dizer que não teria saído do buraco em que me enfiei há alguns anos se não fosse o apoio da minha família, dos amigos, do meu psiquiatra e da minha psicóloga. Falando a Real mostra exatamente isso: como uma rede de apoio em saúde mental pode salvar vidas.

A série ainda terá uma quarta temporada, mas os criadores já avisaram que a terceira encerra um ciclo. Acompanhamos Jimmy (Jason Segel) em sua batalha para sair do luto e retomar a confiança de sua filha Alice (Lukita Maxwell), que também sofre com a ausência da mãe. Jimmy ainda é um grande ponto de apoio para seus amigos e pacientes. Ele até desenvolve um método questionável de terapia que é muito interessante de acompanhar. Junto ao protagonista, temos Gaby (Jessica Williams) e Paul (Harrison Ford), formando o trio de terapeutas; a vizinha invasiva Liz (Christa Miller) e seu doce marido Derek (Ted McGinley); Brian (Michael Urie), o amigo narcisista; e Sean (Luke Tennie), um rapaz que precisa lidar com o estresse pós-traumático após voltar da guerra. É um grupo de amigos formidável.

A terceira temporada já começa com um tom de despedida, com Alice em seu último ano de escola, se preparando para a formatura e a faculdade. Paul luta contra o Parkinson e encara a aposentadoria, Gaby busca evoluir como terapeuta e Jimmy precisa lidar com o próprio pai.


A série aborda temas como depressão, ansiedade, autodestruição, estresse pós-traumático e perdão de forma muito humana. Não sei se teria a maturidade e a capacidade emocional que Alice e Jimmy demonstram ao ajudar Louis (Brett Goldstein), responsável pela morte de alguém tão querido.  Ainda assim, é muito interessante ver como a série mostra o outro lado da moeda: o emocional de quem carrega a culpa pela morte de alguém.

A química do elenco impressiona. Os personagens são extremamente carismáticos e há um ótimo equilíbrio entre eles. Enquanto temos o egoísta Brian, vemos Liz com sua necessidade de controle, Derek com sua generosidade, Gaby com seu alto astral, Jimmy com seu humor pateta, a sensatez de Alice, a simpatia de Sean e a rabugentice de Paul. Vale destacar a brilhante atuação de Harrison Ford, que, aos 83 anos, encara novos desafios. É com Paul que temos muitos momentos de drama mesclados com sarcasmo.

Falando a Real traz temas atuais, personagens críveis e histórias realistas do cotidiano de qualquer pessoa. Tem um roteiro inteligente que nunca cai no brega nem exagera na comédia. É tudo na medida certa. Não se surpreenda se, ao assistir, você se pegar rindo e chorando ao mesmo tempo.

Michele Lima

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