Táxi Driver [Resenha do Filme]

Filmado há exatos 40 anos, Táxi Driver não é só um dos grandes filmes da história do cinema, icônico e sucesso de crítica e público, é também um dos que menos envelheceram e permanece mais atual do que nunca, profetizando o futuro de uma América caótica e seus atiradores enlouquecidos, skinheads e terroristas.

Os fatos que assolam os noticiários nos dias de hoje aparecem condensados em Travis Bickle (Robert De Niro, assustador e espetacular), ex-combatente do Vietnã que sofre de insônia e passa suas noites dirigindo seu táxi nas ruas de Nova York, como se fosse o nauseado Antoine Roquentin, ilustre personagem do livro A Náusea de Jean Paul Sartre. Não a Nova York linda e convidativa dos filmes de Woody Allen, e sim uma verdadeira Sodoma moderna, habitada, segundo ele, pela escória da humanidade, representada aqui por prostitutas, gays, assaltantes, viciados e traficantes que constantemente sujam o banco traseiro de seu veículo. Em uma de suas frases mais marcantes, ele clama: “Há de vir uma chuva de verdade para lavar toda essa sujeira”. Esse tom “bíblico” não podia ser diferente já que o roteiro, escrito pelo protestante Paul Schrader e dirigido pelo católico Martin Scorsese, mostra um personagem com ares de Anjo Exterminador do Velho Oeste, adepto de botas de cowboy e armas, que vai ao inferno e depois encontra sua redenção abordo de um táxi que nas primeiras imagens aparece surgindo das trevas.

Nessa triste jornada, além da falta de apoio dos colegas de trabalho que o ignoram, Travis vê sua paixão não ser correspondida por Betsy (Cybill Shepherd) e conhece um político que só quer saber de usá-lo. Eis que surge a prostituta Íris (Jodie Foster, excelente e com apenas 14 anos!), representando a única luz na qual Travis passa a se agarrar com unhas e dentes, planejando libertá-la de um mundo que tanto o enoja. Recheado de momentos e frases antológicos e memoráveis (“Tá falando comigo?” é a frase mais célebre), Táxi Driver ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes e foi indicado a quatro Oscar: Filme, Ator (Robert De Niro), Atriz Coadjuvante (Jodie Foster) e Trilha Sonora.

Já clássico pela sua contemporaneidade, Táxi Driver também marca a despedida do grande compositor Bernard Herrmann (1911-1975). Habitual colaborador de Alfred Hitchcock, Hermann fez uma trilha sonora absolutamente adequada, indo da angústia ao suspense e sempre imersa em total melancolia. Infelizmente, faleceu antes de ver o filme pronto. Dirigido com maestria por Scorsese que realiza aqui o seu melhor trabalho até hoje, Táxi Driver merece ser sempre lembrado, visto pelas novas gerações, revisto pelos veteranos e celebrado como toda Obra-Prima que, quanto mais antiga, mais valiosa.

Infomações sobre os extras do Blu-Ray: Comentários do diretor Martin Scorsese, do roteirista Paul Schrader e do professor Robert Kolker. Reunião do elenco 40 anos depois Mini docs com Martin Scorsese, a Produção de Taxi Driver, Histórias de Taxi Driver, Locações do filme ontem e hoje e Trailer de Cinema

FICHA TÉCNICA
Título: Taxi Driver
Diretor:Martin Scorsese
Data de lançamento: 22 de março de 1976
Blu- Ray: Sony Pictures
Italo Morelli
Na Nossa Estante

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