Minha Melhor Parte [Resenha Literária]

Minha Melhor Parte

Sabe aquele livro que você quer muito ler, mas tem medo de começar e acabar se decepcionando?

Então, desde o ano passado, Minha Melhor Parte estava na minha estante, mas eu tinha receio de lê-lo justamente por causa do hype que recebeu. Até que resolvi encarar esse medo e finalmente peguei o livro para ler. E, se arrependimento matasse, eu estaria morta agora. Porque, sem dúvidas, foi uma das melhores leituras que fiz este ano.

O livro começa com Winnifred McNutty, ou Win, na festa de Halloween de sua melhor amiga, Sarah. Vestida de pirata, ela acaba conhecendo um cara incrivelmente charmoso. Além de bonito, ele é engraçado, divertido e muito sexy. Durante a conversa, Win percebe que a atração entre os dois é instantânea e eles acabam ficando juntos. Como ela não quer nada sério, acredita que seu ficante também não esteja interessado em um relacionamento. Então, os dois seguem caminhos separados.

Algumas semanas depois, durante uma consulta médica, Winnifred descobre que está grávida. E tudo o que sabe sobre o pai do bebê é o apelido pelo qual ele se apresentou. Além de ser conhecido como Bo, ele é amigo do marido de sua melhor amiga. Depois de surtar bastante e decidir levar a gravidez adiante, Win descobre o verdadeiro nome do pai do bebê e vai atrás dele para contar sobre a gravidez.

Como vocês podem perceber, temos o clichê da gravidez inesperada, além de vários outros clichês de romances. No meu ponto de vista, dependendo da escrita e da forma como esses elementos são trabalhados, eles poderiam fazer da história apenas mais um romance sobre uma gravidez inesperada. No entanto, a autora traz tantas camadas para a história de Win e Bo, cujo verdadeiro nome é Robert, que me deixou completamente vidrada do começo ao fim. Para começar, os dois são pessoas com deficiência. Winnifred nasceu com uma malformação em uma das mãos, enquanto Bo teve uma perna amputada.

Nessa parte, a autora Hannah Bonam-Young, que também é deficiente, mandou super bem. Ela soube conduzir perfeitamente todas as inseguranças de Win e mostrar como, durante toda a vida, ela lutou para que as pessoas a enxergassem como alguém capaz de realizar tudo o que deseja. Além de abordar o capacitismo por meio de diálogos e debates muito interessantes, a autora também trouxe questões como depressão e aborto para a história, temas que me fizeram refletir bastante durante a leitura.

Minha Melhor Parte

E foram justamente esses elementos, somados ao carisma e às atitudes de Bo, que me fizeram amar o livro. Ele é aquele tipo de mocinho que coloca os sentimentos dos outros acima dos próprios. Faz de tudo não apenas para ser o pai que o bebê deles precisa, mas também para ser um amigo para Win.

Aos poucos, Bo vai conquistando não só o meu coração de leitora, mas também o de Win, com seus gestos e suas falas. Ver os dois se apaixonando ao longo das páginas foi um verdadeiro deleite para o meu lado romântico.

Terminei a leitura querendo conhecer as histórias dos outros personagens e, com toda a certeza, pretendo ler os outros livros o mais breve possível.

FICHA TÉCNICA

Título: Minha Melhor Parte
Autora: Hannah Bonam-Young
Editora Globo Livros

 

Ariane de Freitas

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