Spider-Noir [Crítica da Série]

Spider-Noir

Quem está acostumado com o multiverso dos quadrinhos da Marvel já sabe que existem Homens-Aranha em universos paralelos, e Spider-Noir roubou, ainda que momentaneamente, a cena em Homem-Aranha no Aranhaverso, longa que ganhou merecidamente o Oscar de Melhor Animação em 2019. Agora, o Prime Video lança a série em um estilo mais adulto, com Nicolas Cage protagonizando um dos heróis mais amados.

A produção tem duas versões: em preto e branco e colorida. A opção em preto e branco segue o estilo da grande maioria dos filmes noir clássicos e nos coloca em toda a atmosfera do gênero, mais sombrio e pessimista. Já a versão colorida nos oferece tons escuros e a recomendo para quem quer conferir os figurinos das personagens femininas da história. Além disso, o embate do Spider com Megawatt (Andrew Caldwell) fica bem interessante na versão em cores.

Nicolas Cage é Ben Reilly, uma versão mais madura, rabugenta e deprimida de Peter Parker. A produção do Prime Video faz algumas modificações na história, mas nada que desagrade. Aqui, o protagonista não é mordido por uma aranha radioativa, mas sim por um homem que havia sofrido experimentos na Alemanha nazista. E são justamente esses experimentos o ponto central da trama, já que Ben descobre novos vilões com poderes semelhantes aos seus.

Depois de perder o amor de sua vida, Reilly se retira de suas atividades como Spider e passa a viver como detetive particular, sempre bebendo e devendo o salário de sua secretária. Porém, ele se vê no meio de uma trama perigosa envolvendo o chefe da máfia Cabelo de Prata (Brendan Gleeson), a cantora Cat Hardy (Li Jun Li) e seres superpoderosos.

Nicolas Cage é a alma da série e, ainda que a versão em preto e branco escancare um pouco suas limitações faciais, o ator dá um show de atuação corporal. Ele compõe um herói, ainda que cínico, bastante carismático. Ben é um homem deprimido, melancólico e pessimista, mas com um enorme coração. Sua relação com Cat Hardy é cheia de altos e baixos. Sei que a personagem é baseada na Gata Negra dos quadrinhos, e aqui a série tenta justificar certas atitudes de Cat, o que não me convenceu. Não houve nenhum argumento apresentado que me fizesse deixar de vê-la como vilã.

Spider-Noir
A trama é curta, com apenas oito episódios, que passam voando! Tudo é muito bem encaixado, redondinho, sem pontas soltas. É uma série de investigação com um super-herói mais velho do que outros e com um ótimo ritmo. Os coadjuvantes também nos conquistam com simpatia. Janet Ruiz (Karen Rodriguez) é a secretária do protagonista, muito mais esperta do que ele, diga-se de passagem. E o repórter Joe “Robbie” Robertson (Lamorne Morris) se mostra um verdadeiro amigo para Ben.

Spider-Noir me surpreendeu positivamente e entrou na minha lista de melhores séries do ano. Uma história boa, simples, bem trabalhada, com ambientação perfeita e excelente trilha sonora. Espero muito ver Nicolas Cage interpretando esse diferente Homem-Aranha em mais uma temporada.

Michele Lima

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