Família Upshaw [Crítica]

A Família Upshaw chegou ao fim. A sitcom, no seu modo mais tradicional, comandada por Wanda Sykes, teve sete temporadas na Netflix, uma produção duradoura para os dias atuais! Sinal de que, mesmo não muito comentada no Brasil, a comédia teve seu sucesso.

Na série, acompanhamos a vida de uma família negra nos Estados Unidos. A história gira em torno de Bennie Upshaw (Mike Epps), que tenta fazer o melhor por sua família enquanto lida com seus próprios erros. Já sua esposa, Regina (Kim Fields), tenta manter todos nos trilhos! Também temos os filhos do casal, um filho de outro relacionamento de Bennie e a cunhada dele, a maravilhosa Lucretia (Wanda Sykes), que detesta o cunhado.

É difícil não enxergar as semelhanças de Família Upshaw com outra sitcom famosa: Eu, a Patroa e as Crianças! No entanto, me arrisco a dizer que a série de Wanda Sykes é mais ousada. Aqui não há a desculpa de ser uma série antiga para explicar como Michael Kyle tratava os filhos de modo muitas vezes questionável. Não, Família Upshaw não tem medo do cancelamento, traz com muita honestidade a rotina de uma família comum, sem muito filtro, às vezes sem filtro nenhum mesmo.

Um exemplo claro são os episódios de Bennie fumando maconha, inclusive dentro de casa. Ou sendo malandro, tentando tirar vantagem dos outros sempre que pode. Bennie é um pai omisso, um marido questionável e um ótimo mecânico. Seu contraponto é Lucretia, sua cunhada. Os dois personagens passam toda a série brigando, mas, convenhamos, Lucretia quase sempre tem razão. São personagens tão diferentes que, curiosamente, se complementam, cada um com seu carisma.

Regina é quem traz algumas pautas mais pesadas, como entrar em colapso e se afastar da própria família, afetando, ainda que momentaneamente, o laço maternal com os filhos. Já as crianças, que crescem muito durante as temporadas, me parecem sobreviventes do caos. Não à toa, temos a fase rebelde pela qual Kelvin (Diamond Lyons) passa.


Ao longo das temporadas, a série aborda temas sérios, como casamento, traição, dificuldades financeiras, criação de filhos e amadurecimento. No entanto, sempre com muita leveza e piadas bem ácidas. Wanda Sykes é um show à parte, faz de Lucretia uma personagem acima da média, com muita perspicácia em todos os diálogos em que está inserida!

Com muitas referências à cultura pop, ao momento que os Estados Unidos vivem e a situações corriqueiras do cotidiano familiar, Família Upshaw foi uma grata surpresa. A série teve, sim, seus altos e baixos, principalmente na época da pandemia. Alguns episódios foram mornos ou pouco desenvolvidos, enquanto outros foram sensacionais. O saldo foi bem positivo, ainda mais por entregar personagens marcantes e cheios de carisma. O final foi satisfatório.

O formato de sitcom com risadas ao fundo da plateia está morrendo, por isso Família Upshaw foi, para mim, um alento.

Michele Lima

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