Detetive Alex Cross – Segunda Temporada

A primeira temporada de Detetive Alex Cross, no Prime Video, foi excelente: um thriller envolvente, cheio de ganchos entre os episódios que me fizeram querer maratonar tudo de uma vez. Por isso, minhas expectativas para a segunda temporada estavam altas. Ela até começa bem, mas acaba se perdendo bastante no meio do caminho.

Desta vez, Alex Cross (Aldis Hodge) entra na investigação de uma serial killer e precisa trabalhar com a agente Kayla Craig (Alona Tal), do FBI, para proteger o bilionário Lance Durand (Matthew Lillard), que passa a ser alvo de ameaças. Assim como na primeira temporada, sabemos desde o início quem é a assassina. Rebecca/Luz, interpretada por uma excelente Jeanine Mason, busca vingança contra todos os envolvidos na morte de sua mãe. A partir disso, a trama revela um grande esquema de corrupção envolvendo políticos, juízes e empresários bilionários.

Além da investigação central, acompanhamos Cross lidando com conflitos familiares, seu parceiro Sampson (Isaiah Mustafa) enfrentando questões do passado e a própria Kayla, que também carrega seus dilemas. A química entre Cross e Kayla funciona muito bem, mas a personagem guarda segredos. E é justamente no arco de Kayla que surge um dos maiores problemas da temporada. Ao tirar Bobby Trey (Johnny Ray Gill) da cadeia, a justificativa até faz sentido no papel, mas a tentativa de humanizar um personagem tão repulsivo não convence.


Outro ponto que soa completamente deslocado é a decisão de Cross de adotar uma criança. A intenção até parece ser boa, ligada à busca por um parente dela, mas tudo é mal desenvolvido e pouco integrado à narrativa principal. Já na reta final, a série perde ainda mais o rumo. Não é tanto pelas decisões em si, mas pela forma como tudo acontece: Cross passa a agir de maneira pouco convincente, mais como um detetive inexperiente do que como o profissional brilhante que conhecemos.

No fim das contas, quem realmente se destaca é a vilã vivida por Jeanine Mason. Fria, calculista e, ainda assim, humanizada, ela rouba a cena em diversos momentos.

Ainda daria uma chance para uma terceira temporada, mas esta segunda ficou bem abaixo do esperado. Havia um ótimo potencial dramático, um novo relacionamento para Alex Cross e dilemas éticos interessantes, mas nada disso é plenamente aproveitado. O resultado é uma narrativa irregular, com tramas desconexas e pouco desenvolvidas, desperdiçando inclusive o talento de Aldis Hodge. Uma pena.

Michele Lima

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