Respira – Segunda Temporada [Crítica]

Felizmente, as séries médicas continuam em alta! A série espanhola Respira, disponível na Netflix, já tinha mostrado um ótimo roteiro em sua primeira temporada e agora, na segunda, a história amadurece um pouco mais.

Partindo do ponto final da primeira temporada, o Hospital Sorolla passa por mudanças devido à greve dos funcionários. Nestor (Borja Luna) foi muito além, impedindo até serviços essenciais, o que aumentou bastante toda a tensão da história, principalmente por causa de Patrícia (a excelente Najwa Nimri). A presidenta de Valência estava entre a vida e a morte justamente quando começou a greve. É interessante que um dos melhores plots da série seja o relacionamento quase amoroso entre um homem de esquerda e sindicalista (Nestor) e uma política de direita (Patrícia). Eles fogem do estereótipo, e isso é muito bom. No entanto, nesta temporada, o relacionamento deles fica mais no campo profissional.

Sophia (Rachel Lascar) chega ao hospital como a salvadora de Patrícia. A médica investiga a cura do câncer com um novo tratamento bastante misterioso. Entretanto, ao longo da série, percebemos que há algo de errado nessa pesquisa.

Biel (Manu Ríos), como protagonista, fica bem apagado nesta temporada. Sua relação com Jessica (Blanca Suárez) chega a um ponto desinteressante, principalmente porque a personagem não se decide com quem fica. Para incrementar a história, Jessica precisa de um transplante e LLuís (Alfonso Bassave), seu namorado, arrisca a carreira para conseguir um. Nesse núcleo, a chegada de Lucía (Claudia Traisac) na reta final deixou tudo mais interessante, assim como o pai de Biel, que lidera a privatização do hospital.

Por outro lado, se Biel ficou apagado, o mesmo não pode ser dito de Quique (Xoán Fórneas) e Rocío (Macarena de Rueda). O rapaz é um autossabotador profissional, é impressionante como ele consegue sempre se meter nas piores enrascadas. Já Rocío começa a lidar com os problemas com May (Marwa Bakhat, na personagem mais irritante da série) e com o uso abusivo de remédios. Pilar (Aitana Sánchez-Gijón), por sua vez, conseguiu evoluir em sua relação com o filho, Oscar (Rafa Verdugo).

Respira continua mesclando bem os dramas pessoais dos personagens com as questões de saúde pública. Há uma boa crítica à privatização do hospital e a série também aborda temas como vício e tratamentos para bipolaridade, entre outros. No entanto, há tanta coisa para ser desenvolvida que algumas histórias acabam enfraquecidas. O trunfo é que os personagens são bons, a tensão também e o elenco, melhor ainda.

Michele Lima

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