A Diplomata concorreu ao Emmy, mas não teve a menor chance diante dos concorrentes. Mas a série não é ruim! Na verdade, a produção criada por Debora Cahn (Homeland, The West Wing) é uma das melhores novidades da Netflix dos últimos tempos.
Na trama, acompanhamos Kate Wyler (a excelente Keri Russell), esposa do antigo embaixador Hal Wyler (Rufus Sewell, perfeito no papel), um homem ambicioso e calculista que está de escanteio, apenas observando a ascensão da mulher. A relação entre os dois é péssima, o casamento está à beira do divórcio e se sustenta apenas pelas aparências. Na primeira temporada, vemos Kate como embaixadora em Londres tentando fazer diplomacia com um Primeiro-Ministro britânico (Rory Kinnear) impulsivo e problemático. A trama, porém, toma rumos inesperados quando ela descobre que os Estados Unidos estão envolvidos em uma conspiração e que Hal age nos bastidores para que a esposa se torne vice-presidente. Como se não bastasse, a segunda temporada termina com a morte do presidente americano.
Agora, na terceira temporada, acompanhamos Kate tendo que lidar com duas funções: a de embaixadora e a de segunda-dama. De propósito ou não, Hal conseguiu entrar de vez na política e se tornar vice-presidente dos Estados Unidos. Honestamente, acredito que Hal almeja a presidência e que nada nem ninguém será capaz de impedi-lo. Tudo o que vemos parece um grande jogo de xadrez em que Hal coloca todos como meros peões.
A Diplomata tem como grande trunfo a forma como mescla os dilemas pessoais de Kate, uma mulher em um alto cargo que precisa lidar com um ambiente machista e com um marido que por vezes parece psicopata, ao mesmo tempo em que apresenta uma trama política envolvente e instigante. Confesso que as relações amorosas de Kate nem sempre me empolgam, especialmente nesta terceira temporada. A introdução do misterioso Callum não foi das melhores: ele surge de forma repentina, não apenas como espião, mas também na vida pessoal da protagonista. Fiquei com a sensação de que esse enredo do MI6 envolvendo Callum tem potencial para ser mais explorado.
Embora o desenvolvimento entre Kate e Callum (Aidan Turner) não tenha sido tão bom, a relação dela com Hal continua maravilhosamente tensa e complexa. Às vezes, acredito que Hal realmente ama a esposa; em outros momentos, parece que ele apenas a utiliza. Dessa dinâmica surgem diálogos ácidos e inteligentes, além de toda a parte política, que ganha ritmo acelerado e nos deixa ansiosos por mais.
A Diplomata assume contornos mais densos e, em certos momentos, se aproxima de um thriller político. As situações de bastidores agradam bastante, e todos os personagens são muito envolventes, assim como o elenco, que continua ótimo. É uma série para quem gosta de política, com uma protagonista humana, forte e cheia de falhas, e com ganchos narrativos excelentes. Já estou ansiosa pela próxima temporada!
Michele Lima
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