O Eternauta [Crítica da Série]

O Eternauta é uma produção argentina de ficção científica na Netflix que não deve em nada para produções americanas! No entanto, antes de falar da série, é extremamente necessário situar a importância dessa história que se tornou símbolo de resistência na Argentina. 

O Eternauta de Héctor Germán Oesterheld e Francisco Solano López foi publicado originalmente entre 1957 e 1959, mas em 1976 o autor publicou uma sequência. Durante a ditadura militar, Oesterheld foi sequestrado pelos militares e, até hoje, permanece desaparecido. Felizmente, a produção da série da Netflix entendeu perfeitamente a importância da obra, mesmo que ela tenha perdido o peso político de antes.

Na série vamos acompanhar o excelentíssimo Ricardo Darín vivendo Juan Salvo, o protagonista. Em uma noite qualquer de truco com seus amigos uma neve tóxica começa a cair nos céus de Buenos Aires matando a todos que estavam na rua. Não demora para Juan e seus amigos entenderem que não dá pra sair de casa, mas encontram uma solução para Juan partir em busca de sua filha.

Boa parte da trama da primeira temporada é sobre a jornada de Juan para tentar encontrar Clara (Mora Fisz), mas a série avança consideravelmente em alguns mistérios. Não nos traz todas as respostas, mas nos deixa instigados até o fim, com direito a invasão alienígena. 

Em 1957 a ficção de O Eternauta poderia ser algo bem diferente, hoje em 2025 certamente já vimos quase de tudo em ficção. Logo, o ponto forte da trama são os personagens. As relações pessoais moldam todos os rumos da história, com personagens complexos, vivendo em um mundo apocalíptico. 

O destaque para além de Salvo de Darín, um homem que viveu seus tormentos durante a guerra das Malvinas, temos Alfredo “Tano” Favalli (César Troncoso). Tano é um acumulador e essa característica é bem conveniente em várias situações, mas é ele também um dos personagens mais marcantes por sua dureza em momentos necessários. Tano é o melhor que entende a questão de sobrevivência, nem que para isso ele tenha que se indispor com amigos de longa data. Por mais chato que ele possa ser, em um apocalipse certamente eu gostaria de estar perto dele.

Ao longo dos seis episódios vamos nos deparando com questões éticas relacionadas à sobrevivência, traumas coletivos e personagens bem realísticos. Toda a questão da ausência de tecnologia e nossa dependência dela tem uma abordagem bem interessante também. A ambientação e fotografia estão impecáveis e os efeitos especiais bem acima da média. 

A Netflix já divulgou que terá uma segunda temporada e O Eternauta tem feito sucesso em muitos países. Não por menos, é uma história ficcional extremamente humana e com um bom suspense. Recomendo!

Michele Lima

Na Nossa Estante

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