A Netflix acertou em cheio no dorama Se a vida te der tangerinas! É evidente a superioridade da produção em termos de roteiro, fotografia, ambientação, trilha sonora e elenco!
É curioso que pelo começo da história somos induzidos a acreditar que Oh Ae-soon (IU/Kim Tae-yeon/Kim Tae-yeon) é a única protagonista. De fato, ela é o cerne de toda a história, mas esse dorama tem como foco a família de Ae-soon como um todo, já que acompanhamos o que acontece com eles durante os anos.
Os primeiros episódios são tão dramáticos quanto os últimos, difícil não se sentir emotivo com a Ae-soon perdendo a mãe tão jovem. E já no começo o dorama demonstra a importância dos laços familiares na vida das pessoas, principalmente a relação de mãe e filha. Ae-soon com sua mãe e depois Ae-soon com sua filha, Yang Geum-myeong (também interpretada pela IU).
Ae-soon não tem a vida que sua mãe desejou para ela, mas tem o relacionamento amoroso mais lindo de todos, com Yang Gwan-sik (Park Bo-gum/Lee Cheon-mu/Moon Woo-jin/Park Hae-joon). Só não é um conto de fadas porque os dois sofrem o pão que o diabo amassou, ainda assim, o amor deles é de fazer qualquer um suspirar. É um amor de infância que amadurece à força. Os dois constroem uma família que acaba tendo muitos problemas, como a perda de um filho no meio do caminho, que faz com que a relação deles com o filho do meio seja muito afetada.
Quando o tempo passa, Geum-myeong acaba ganhando momentos de protagonista e acompanhamos mais de perto sua luta para estudar e seus amores. É curioso que neste ponto do doramas Ae-soon e Gwan-sik mudam bastante. Gwan-sik passa a ser um pai mais falante e Ae-soon perde sua impulsividade, enquanto Geum-myeong é realmente uma cópia da mãe quando jovem. Eu adorei IU como Ae-soon e o fato de continuarem com ela, que passa a interpretar Geum-myeong. Só não curti muito a escalação de Park Hae-joon para Gwan-sik, que fisicamente não se parecem em nada.
Ainda que com uma narração bem fluida, o dorama vai e vem na linha do tempo. Em alguns momentos estamos no futuro e em outros no passado e ao montar o quebra cabeça dessa família tão real, nos deparamos com uma narrativa muito poética. Existe uma poesia lindíssima na forma como Ae-soon e Gwan-sik se relacionam e o dorama opta por não trabalhar com clichês românticos (um ponto muito positivo), mas com gestos simples de um amor de uma vida toda.
A família de Ae-soon é igual a qualquer outra, os temas abordados são totalmente realistas. Muitas famílias lidam com o luto, muitos pais, apesar de amarem seus filhos, cometem erros, não percebem o favorecimento de um filho, não percebem que machucam o outro e ainda assim, fazem de tudo por eles.
Se a vida te der tangerinas é uma história de amor e sobrevivência, não existe glamourização na miséria que eles passam, mas há uma insistência evidente em lutar por dias melhores, nem que seja para seus descendentes.
Com atuações marcantes, principalmente de IU e Park Bo-gum, Se a vida te der tangerinas emociona e deixa seu impacto merecido na lista de produções coreanas.
Michele Lima
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