Código Preto [Crítica do Filme]

Conhecido pela aclamada trilogia Ocean’s (Onze Homens e Um Segredo) que se tornou um marco no subgênero policial de assaltos (heist films), Steven Soderbergh já brincou com diversos gêneros em seu currículo, mas ainda faltava uma abordagem que é a espionagem. E para ter êxito, nada melhor que trazer um Bond para compor seu elenco.

Em Código Preto, acompanhamos um elegante casal de agentes espiões da Inteligência Britânica, Kathryn St. Jean (Cate Blanchett) e George Woodhouse (Michael Fassbender) que tem um relacionamento baseado na doação total um no outro, confiança e respeito pelas descrições profissionais. No entanto, George descobre por um de seus contatos que o projeto “Severus”, uma arma cibernética com potencial de controlar códigos nucleares, foi comprometido internamente e sua esposa está entre as principais suspeitas. O agente tem uma missão dúbia: continuar leal ao seu casamento ou a nação. 

O diretor insere um drama profundo com relações interpessoais que são intelectualmente instigantes para a resolução desse quebra-cabeça. Não espere um longa de espionagem com ação, já que a proposta é realizada pelo aprofundamento em diálogos que são bem arquitetados. 

Ao analisarmos uma cena em específica que é o coração do filme, onde George reúne a lista de coadjuvantes que possivelmente estão envolvidos em sua casa para um jantar, se revela esse prognóstico. Já que o roteiro consegue elaborar uma construção de personalidades em uma roda de conversas para o agente analisar “amigavelmente” seus conflitos internos. A tomada em questão se assemelha muito às obras de Agatha Christie, feitas pelo detetive Hercule Poirot


Paralelo a isso, temos ótimas atuações de Fassbender e Blanchett, a química criada entre os dois é elegante, sarcástica, concisa e bizarra. E após 23 anos sem atuar em filmes de espionagem, Pierce Brosnan, conhecido por seu papel como James Bond em 007 é inserido na trama para ser um dos líderes da Inteligência Britânica. Porém, seu personagem é um chefe genérico diante de toda a situação envolvendo essa “arma com potencial de destruir o mundo” ,que também acaba sendo o ponto mais fraco, já que é um recurso repetitivo no gênero. 

Contudo, mesmo o filme sendo curto para edificar toda a jornada, o destaque de Código Preto é para sua base fundamentalista nos textos dialogais que se desprendem da mesmice vistas em obras do segmento. Além das reviravoltas e desfecho que certamente cativará os espectadores que assistirem à obra. 

FICHA TÉCNICA

Título: Código Preto
Data de Lançamento: 13 de março de 2025
Direção: Steven Soderbergh
Universal Pictures Pictures

 

Lucas Venancio

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