Banco Central sob Ataque [Crítica]

Com a temática de roubo, só que dessa vez baseado em fatos reais, e atores conhecidos de La Casa de papel, a minissérie de cinco episódios, Banco Central sob ataque, chega à Netflix empolgando bem menos do que se imaginava.

Em Barcelona no dia 23 de maio de 1981, um grupo de assaltantes invade o Banco Central fazendo 300 reféns, mas pedem a libertação do Tenente Tejero Molina, líder de uma tentativa de golpe militar que ocorreu meses antes na frágil e recente democracia espanhola. Mas o que parecia um roubo com simples motivações políticas, acaba se mostrando um pouco mais complexo.

José Juan (Miguel Herrán, o Rio de La Casa de Papel) é o líder do grupo, com um passado anarquista que caiu em uma armadilha política. A ideia era entrar no banco, pegar alguns papeis para um determinado político, pedir a liberação de Tejero, apenas para ganhar tempo e fazer com que acreditem que são militares, impedindo a invasão da polícia e depois fugir por um túnel com o dinheiro. As plantas eram falsas e não tinham como fugir do local.

Paralelamente a isso, temos Maider (María Pedraz, La Casa de Papel), uma jovem jornalista no seu primeiro dia de emprego cobrindo o caso junto com Berní (Hovik Keuchkerian, Bogotá de La Casa de Papel), um veterano alcoólatra. Os dois são os que sempre estão mais próximos de descobrir a verdade sobre o roubo.

Os personagens possuem bastante carisma e mais uma vez me vi torcendo para assaltantes de banco, mas neste caso não existe nenhuma mente brilhante por trás do roubo. Juan é só um delinquente que acreditou que poderia mudar de vida e ainda ajudar o país. No fim, era um só um mero peão na mão tanto da esquerda quanto da direita na Espanha.

O aspecto positivo da série é ter poucos episódios e com menos de 1 hora de duração, o que deixa a trama bem rápida e dinâmica, sem enrolação. Além da presença de atores como o ótimo Hovik Keuchkerian, infelizmente muito mal aproveitado, María Pedraz e Miguel Herrán que entregam bem em seus papeis. Outro ponto que gostei foi a parte histórica e a certeza de que os políticos usam dos fins para justificarem os meios.

Já o aspecto negativo fica para o final da minissérie, o roteiro o tempo todo tenta nos convencer de que algo maior pode acontecer, já que Maider não desiste de investigar o assalto, mesmo depois que acaba. E para algo impactante acontecer, a série teria que se diferenciar dos fatos reais. Assim, o final teve um enorme anticlímax.

Por ser um episódio emblemático da história política da Espanha, o tema é realmente interessante, provoca uma boa reflexão sobre política com uma boa tensão e ação. No entanto, Banco Central sob Ataque termina completamente sem graça, uma pena. 

Michele Lima

Na Nossa Estante

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