O Problema dos 3 Corpos [Crítica da Série]

Quando eu comecei a ler O problema dos 3 corpos identifiquei de imediato uma trama complexa e cheia de detalhes, fiquei curiosa em saber como a Netflix faria a adaptação e o resultado foi ótimo! Eles conseguem dar mais dinâmica à trama de Cixin Liu, embora com muitos ajustes.

O livro tem lá suas falhas porque o autor nos apresenta uma quantidade muito grande de personagens sem aprofundar todos, mas Ye Wenjie, interpretada na série por Rosalind Chao, é melhor desenvolvida na obra literária. É ela que responde ao primeiro contato dos alienígenas e aceita que eles invadam a Terra. No entanto, na série ela fica parecendo mais uma mulher fanática do que qualquer outra coisa, quando na verdade, Ye Wenjie sofre bastante na China em uma ditadura que mata seu pai por ideias científicas que não condizem com o governo. E até ela chegar a trabalhar para o governo e é traída sempre por pessoas ao seu redor. Logo, existe uma descrença enorme na humanidade, por isso, a aceitação que os alienígenas possam nos salvar.

Já o personagem Wang, que é um cientista que começa a ver uma contagem regressiva nas fotos que tira, é dividido em outros personagens na série da Netflix. E com isso, apesar de gostar de Wang, também gostei dos cinco amigos cientistas da adaptação. Quem começa a ver a contagem regressiva é Auggie Salazar (Eiza González), a responsável pela poderosa tecnologia de nanofibras. E o motivo da contagem regressiva é que os invasores querem que ela não desenvolva a ferramenta.


Enquanto Salazar precisa parar com seu projeto, Jin Cheng (Jess Hong) e Jack (John Bradley) descobrem o jogo chamado Três Corpos, que Vera (Vedette Lim), filha de Ye Wenjie, jogava antes do suicídio. Jin e Jack tentam salvar diferentes civilizações que vivem eras instáveis e no processo descobrem que essas civilizações sofrem com três sois. Os alienígenas são criaturas espertas e o jogo serve para atrair não só a curiosidade de cientistas como para despertar empatia.

A série consegue ser dinâmica, embora não tenha tanto a parte científica como no livro. Porém, é tudo didático e os personagens são bastante envolventes. A série consegue mesclar a ficção científica com tramas pessoais, além da amizade e o amor entre  os cinco amigos, o que é um trunfo da adaptação. Além disso, já avança um pouco em questões do segundo livro, deixando um gostinho de quero mais no final!


Adaptada pelos criadores de Game of Thrones, a produção não ficou livre de críticas, a começar pelas escolhas dos produtores americanos e focar em personagens não orientais. No entanto, assim como o livro, tem um tema interessante e que nos prende do início ao fim.

É claro que indico a leitura por ser mais rica em detalhes, mas a adaptação foi mais positiva do que eu esperava!

Michele Lima

Michele Lima

View Comments

  • Oi Mi! Eu não li os livros, mas a série parece dar uma dinâmica maior para a história, o que torna mais fácil quem não está acostumado com o gênero acompanhar. Que bom que gostou. Bjos!!
    Moonlight Books

Recent Posts

Família Upshaw [Crítica]

A Família Upshaw chegou ao fim. A sitcom, no seu modo mais tradicional, comandada por…

1 hora ago

Cara de Um, Focinho do Outro [Crítica]

Quem não gosta da Pixar Animation Studios já está morto por dentro! Brincadeiras à parte,…

4 dias ago

Armadilha [Crítica do Filme]

Só agora, com o filme disponível na Netflix, resolvi assistir a Armadilha, do diretor M.…

1 semana ago

Rivalidade Ardente [Crítica da Série]

Heated Rivalry (Rivalidade Ardente), escrita e dirigida por Jacob Tierney, é um drama esportivo lançado…

2 semanas ago

Casamento Sangrento: A Viúva [Crítica]

Lançado como continuação direta de Casamento Sangrento (2019), o filme surge com a difícil missão…

2 semanas ago

Sweetpea [Crítica da Série]

A literatura contemporânea encontrou, nos últimos anos, um terreno fértil para protagonistas moralmente ambíguas, especialmente…

3 semanas ago

Nós usamos cookies para melhorar a sua navegação!