Bebê Rena [Crítica da Série]

Bebê Rena é um sucesso na Netflix e não à toa! A série mostra aquele tipo de horror mais puro, o que os humanos podem fazer uns aos outros. Engana-se quem diz que não assusta porque abuso sexual assusta e muito! É também assustadora a relação da stalker com a vítima.

No começo achei que veria uma série sobre uma mulher perseguindo um homem. A medida que Martha (a ótima Jessica Gunning) cria uma realidade paralela na sua cabeça de que está em um relacionamento com Donny (Richard Gadd), as coisas ficam bem intensas. De fato, é até possível achar graça nos e-mails dela pra ele, mas é visivelmente pertubador o quanto a personagem entra na vida do protagonista. 

Martha um dia entra no bar onde Donny trabalha e ele é simpático com ela, o que foi suficiente para a mulher voltar todos os dias e perseguir o barman aspirante a comediante. Mas a série não é só sobre isso, me perguntei várias vezes se Donny estava mais doente do que Martha, já que demorou muito para ele procurar a polícia e empatia tem limite.  E o fatídico episódio 4 nos mostra que sim, Donny também tem seus problemas.


E é a partir do quarto que a chave da série muda. Não aconselho a assistirem se não estiverem bem emocionalmente. A Netflix dá seu aviso, mas eu não achei que fossem cenas tão fortes, passei dias tentando digerir e me senti muito mal. Dali em diante só piora. E fica mais horripilante quando se sabe que é baseada em fatos reais. Não sei como o ator Richard Gadd, (escritor, produtor da série) conseguiu atuar em cenas que realmente aconteceram com ele. 

Em 7 episódios a série consegue nos mostrar uma história complexa quando eu achei que a única complexidade seria de Martha, uma personagem obcecada e doente, mas Bebê Rena é muito mais sobre Donny e como o ator, Richard Gadd teve que lidar com todos seus traumas, inclusive com uma stalker.

No final, o cansaço emocional é inevitável. 

Michele Lima

Michele Lima

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