Noites Brutais [Crítica do Filme]

Uma das maiores surpresas de 2022 e talvez o melhor terror do ano, quanto menos o expectador souber da história, melhor. Até assistir ao trailer pode atrapalhar a experiência.

Filmes de terror numa casa estranha, durante a noite, com protagonista feminina existem aos montes, mas conseguiram fazer um bom trabalho aqui. Tem furos no roteiro? Tem! Clichês? Tem sim Incoerências? Muitas! Mas é tudo bem amarrado e explicado, inclusive no subtexto.

A jovem Tess (a talentosa Georgina Campbell) aluga uma casa em Detroit pelo Airbnb para uma entrevista de emprego. Ela chega, claro, bem tarde da noite e descobre que outro jovem, Keith (Bill Skarsgard, de It) está hospedado lá. Mesmo com medo, ela decide passar a noite lá e ambos descobrem que não estão sozinhos.

O diretor e roteirista Zach Gregger fez um bom Cine Trash, com capricho visual na direção de arte e fotografia bem cuidados. Podia ser até um pouco mais sujinho e tosco. Ele quis trazer uma certa seriedade a história tirando o foco do sobrenatural e apostando no horror do cotidiano, o que agrega muito mais do que um tema sobre espíritos e monstros. Ao invés de jogar um plot twist na tela a cada 15 minutos, o roteiro vai por caminhos inusitados e tudo funciona bem dentro da proposta.


Ainda que possa parecer, Noites Brutais não é um filme de serial killer e nem de criaturas atrás das paredes; tudo é passível de interpretação e discussão, e isso é o segredo do sucesso do longa.

Tess é uma final girl de respeito que não se via desde a Sidney de Pânico. Forte e corajosa, ela fornece elementos para que a atriz brilhe e carregue Noites Brutais nas costas.

Não tem gancho pro final, mas se virar franquia tem tudo pra dar certo. Vale lembrar que até o momento está disponível no Star+.

FICHA TÉCNICA

Título: Noites Brutais
Título Original:  Barbarian
Direção:  Zach Cregger
Data de lançamento: 31 de agosto de 2022
Star+

Italo Morelli Jr.

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