Do Fundo da Estante: Lanternas Vermelhas

O diretor chinês Zhang Yimou já era aclamado mundialmente por seus filmes impecáveis bem antes de dirigir a abertura das Olimpíadas de Pequim em 2008. O mesmo deslumbre que o mundo pode conferir em um estádio a céu aberto também pode ser visto em cada enquadramento de seus longa-metragem.
Um exemplo é Lanternas Vermelhas, um de seus trabalhos mais elogiados. Nele, sua esposa Gong Li (soberba) é mais uma vez a protagonista numa história sobre os conflitos entre quatro esposas de um mesmo homem.
Tudo se passa na China no ano de 1920. Com a morte do pai e o inevitável empobrecimento da família, Songlian (Gong Li), uma jovem universitária, é pressionada pela madrasta a se casar e se torna a quarta esposa de um homem rico e poderoso que ela nem sequer conhece. De repente, ela se vê sozinha em uma casa onde as tradições seculares são seguidas como uma lei por seu marido e todos que a habitam. Uma das mais importantes regras é a das lanternas vermelhas. A esposa escolhida pelo senhor da casa para passar a noite tem as lanternas de sua casa acesas e recebe um tratamento privilegiado por toda a criadagem.
Lento mas nunca entediante, Lanternas Vermelhas é incrível do primeiro ao último take. A fotografia em tons de azul fazendo contraste com a brancura da neve e o vermelho das lanternas é das mais fascinantes da história. Zhang Yimou consegue a proeza de fazer um filme claustrofóbico mesmo filmando em externas com cenários amplos. O elemento sufocante está na história que incomoda com as tradições da submissão feminina mas que empolga ao mostrar o sopro de resistência que brota das personagens. Só perde em intensidade para o clássico O Império dos Sentidos (1976), mas ambos representam a relação do governo com seu povo através do senhor e suas esposas.
Sensacional é pouco.

FICHA TÉCNICA
Título: Lanternas Vermelhas
Título Original: Da hong deng long gao gao gua
Direção: Yimou Zhang
Data de lançamento: 10 de setembro de 1991
Italo Morelli Jr.
Na Nossa Estante

View Comments

  • Eu não conhecia esse filme, mas gostei da dica. Faz um bom tempo que não vejo filme de origem oriental e é um bom título para observar outras culturas e até discutir a questão da submissão feminina nelas, ainda mais que se passa em tempos passados.
    Bjks!

    Mundinho da Hanna
    Pinterest | Instagram | Skoob

Recent Posts

Armadilha [Crítica do Filme]

Só agora, com o filme disponível na Netflix, resolvi assistir a Armadilha, do diretor M.…

3 dias ago

Rivalidade Ardente [Crítica da Série]

Heated Rivalry (Rivalidade Ardente), escrita e dirigida por Jacob Tierney, é um drama esportivo lançado…

5 dias ago

Casamento Sangrento: A Viúva [Crítica]

Lançado como continuação direta de Casamento Sangrento (2019), o filme surge com a difícil missão…

1 semana ago

Sweetpea [Crítica da Série]

A literatura contemporânea encontrou, nos últimos anos, um terreno fértil para protagonistas moralmente ambíguas, especialmente…

2 semanas ago

Hong, A Inflitrada [Crítica]

Hong, a Infiltrada, dorama disponível na Netflix, rapidamente se tornou um dos meus preferidos! A…

2 semanas ago

O Agente Secreto [Crítica]

O Brasil que fomos e que (infelizmente) ainda somos. O Brasil que não conhece o…

3 semanas ago

Nós usamos cookies para melhorar a sua navegação!