A casa sombria [Crítica do Filme]

Sabem aquele tipo de filme que no final ou você acha ruim ou fica horas pensando sobre? Então, esse é A casa sombria. No meu caso fiquei por um tempo digerindo porque o longa te leva a muitas interpretações e uma delas é bem pesada.
Beth (Rebecca Hall) perdeu o marido recentemente, ele cometeu suicídio no barco do lago de frente a casa deles que fica no meio de uma mata, bem isolado a não ser por um vizinho. Apesar do luto, Beth tenta voltar a sua rotina como professora, mas aos poucos ela nota uma presença estranha na sua casa, começa a ter sonhos mais estranhos ainda e vamos com ela montando esse difícil quebra-cabeça que envolve Owen (Evan Jonigkeit), o falecido marido.
Nos sonhos, Beth sente a presença de Owen que a leva a ver a mesma casa em que ela mora com mulheres que se parecem com ela em diferentes situações estranhas e ruins. Acordada a protagonista começa a ficar obcecada pelo o que marido fazia, mexe no seu telefone, investiga seus papéis e descobre que ele era um homem bem diferente do que ela imaginava. Assim como Beth, não sabemos direito quem é Owen, mas também não temos uma protagonista muito confiável, devido a depressão e luto que a envolve.
Em meio a cenas de jumpscare, o longa se destaca mesmo é pelo mistério que envolve os sonhos de Beth. Várias pistas são soltas e não sabemos se vão nos levar a algum lugar. O suspense é excelente, impossível não criar mil teorias e quando termina não dá pra descartar muita coisa. Temos várias referências ao labirinto grego, a um mundo invertido, assombrações e crimes bem reais.
Rebecca Hall está maravilhosa como uma protagonista sarcástica, muito destemida, que simplesmente não se apavora com as possibilidades diante de si, ela investiga a fundo o que aconteceu com o marido quando qualquer pessoa normal já teria fugido da casa há muito tempo. E destaque também para ótima fotografia do longa que corrobora bastante para a ambientação melancólica que o filme propõe.
A casa sombria é um filme inteligente, cheio de nuances e ambiguidade, o luto e a depressão são fortemente tratados aqui de uma maneira nem tão inovadora, mas ainda assim perspicaz. Mais do que terror é um um filme de suspense e drama, tem um ritmo lento, mas me agradou bastante.
Trailer
FICHA TÉCNICA
Título: A casa sombria
Título Original: The Night House
Direção: David Bruckner
Data de lançamento no Brasil: 23 de setembro de 2021
Walt Disney Pictures
Possíveis explicações para o final com SPOILER

Spoiler!
Spoiler!
Durante o filme temos várias referências a labirintos nos documentos de Owen. Uma referência à prisão que envolve o tormento do marido e da protagonista. A sombra pode ser uma metáfora do Minotauro que se alimenta de sacrifícios, exatamente como Owen faz, matando as mulheres na outra casa.
A sombra é também a representação da ausência de sentimento, do nada, da depressão que está perseguindo a protagonista desde seu acidente na adolescência. O marido então é o alvo da sombra que para enganá-la mata mulheres parecidas com Beth.
No final Beth enfrenta a sombra em um transe em que ela está diante da depressão tendo a chance de também se matar. Ou é tudo uma tentativa de dar explicação para o simples fato do marido ser um serial killer…

Michele Lima

Na Nossa Estante

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