Mank [Crítica do Filme]

Projeto pessoal do diretor David Fincher, Mank foi escrito por seu pai, Jack Fincher (1930 – 2003) que infelizmente não viveu para vê-lo produzido. Para entender Mank com mais precisão é necessário que se tenha um conhecimento enciclopédico do que foi a Hollywood dos anos 30 e que um seja fã absoluto desta era, e óbvio, que saiba da existência de Cidadão Kane (1941), considerado pela crítica especializada como o maior longa-metragem de todos os tempos. Só assim para reconhecer em tela, todos os nomes citados.
Mank (Gary Oldman, com sua competência de sempre) é o apelido de Herman J. Mankiewicks, um escritor com sérios problemas de alcoolismo. Com a perna quebrada após um acidente de carro, Mank é levado para um hotel onde começa a escrever um novo roteiro que virá a ser dirigido pelo recém contratado do estúdio RKO, Orson Welles (numa rápida e surpreendente atuação do talentoso Tom Burke) e que futuramente se tornará o clássico Cidadão Kane.
Rodado em P&B e com uma impecável reconstituição de época para que pareça ter sido rodado nos anos 40, Mank é um bom filme correto e, diferente do alardeado, é apenas uma imaginação do que pode ter acontecido – impossível que sua fidelidade com os fatos seja de 100%, visto que a história é assumidamente pró-Mank e anti-Welles.
Os inúmeros flashbacks (o mesmo recurso também usado em Cidadão Kane), ao mesmo tempo em que adicionam informações para a compreensão da trama, não ajudam muito e chegam a confundir em alguns momentos. Fica aquela sensação de avança-para-retrocede, nada muito favorável para o envolvimento do expectador, graças também ao excesso de personagens pouco carismáticos e desconhecidos do grande público, ainda que sejam nomes fundamentais na Era de Ouro de Hollywood.
E com tantos homens de terno passando pela tela (e difíceis de distinguir por causa da fotografia escura e expressionista, igual a de Cidadão Kane) Amanda Seyfried se destaca no papel de Marion Davies, diva dos primórdios do cinema – e deve ser indicada ao Oscar de atriz coadjuvante.
Com um fundo político sobre as eleições da Califórnia nos anos 30 que menciona Hitler e a ascensão do nazismo, e também capitalismo/comunismo e republicanos/democratas, Mank tem mais de duas horas de duração e se não chega a entediar, tampouco empolga e chega ao fim da projeção sem o impacto prometido.
O curioso é que o diretor David Fincher, que já entregou tesouros como Seven (1995) e Clube da Luta (1999) e O Quarto do Pânico (2002), desde O Curioso caso de Benjamin Button (2008), parece ter optado por um cinema mais tradicional e nada provocativo. Uma pena, pois Mank poderia ter sido um registro histórico sobre uma época distante, quase nunca lembrada pelo cinema atual. Também não é especificamente sobre Orson Welles ou Cidadão Kane, então acaba tendo como público alvo os fãs de David Fincher, Gary Oldman e Amanda Seyfried, com claras intenções de conquistar alguns Oscar.
Trailer
FICHA TÉCNICA
Título: Mank
Direção: David Fincher
Data de lançamento no Brasil: 4 de dezembro de 2020
Netflix


Italo Morelli Jr.

Na Nossa Estante

View Comments

Share
Published by
Na Nossa Estante

Recent Posts

Máquina de Guerra [Crítica]

Alan Ritchson vive uma de suas melhores fases na carreira. Após o sucesso como protagonista…

3 dias ago

Virgin River – 7ª Temporada [Crítica]

Eu achava que não havia mais nada a ser explorado em Virgin River e me…

1 semana ago

Família Upshaw [Crítica]

A Família Upshaw chegou ao fim. A sitcom, no seu modo mais tradicional, comandada por…

2 semanas ago

Cara de Um, Focinho do Outro [Crítica]

Quem não gosta da Pixar Animation Studios já está morto por dentro! Brincadeiras à parte,…

2 semanas ago

Armadilha [Crítica do Filme]

Só agora, com o filme disponível na Netflix, resolvi assistir a Armadilha, do diretor M.…

3 semanas ago

Rivalidade Ardente [Crítica da Série]

Heated Rivalry (Rivalidade Ardente), escrita e dirigida por Jacob Tierney, é um drama esportivo lançado…

3 semanas ago

Nós usamos cookies para melhorar a sua navegação!